
Open USD é uma nova stablecoin lastreada em dólar criada pela Open Standard, um consórcio de mais de 140 empresas, incluindo Visa, Mastercard, Stripe, BlackRock, BNY, Standard Chartered, Google, Shopify e Ripple, com lançamento previsto para o final de 2026. O token, identificado pelo ticker OUSD, é apresentado como a primeira stablecoin relevante governada pelas empresas usuárias ao invés de uma única emissora.
A reação do mercado mostrou a relevância da novidade. A Circle, emissora da USDC, viu suas ações caírem entre 15% e 17% no dia do anúncio, já que o Open USD propõe um modelo que impacta diretamente a receita que tornou a Circle valiosa. Enquanto emissores tradicionais retêm o rendimento dos dólares em reservas, o Open USD foi projetado para devolver quase toda essa receita para as empresas parceiras. A seguir, veja o que é o Open USD, quem está por trás e por que o projeto chama a atenção do mercado.
O que é o Open USD
O Open USD é uma stablecoin totalmente lastreada em dólar, ou seja, cada OUSD em circulação deve ser garantido por dinheiro ou ativos em dólar de curto prazo mantidos em reserva. Em termos básicos, funciona como outros tokens atrelados a moedas fiduciárias: você envia um dólar, recebe um token atrelado ao dólar e pode resgatar pelo mesmo valor.
A diferença central está na estrutura de propriedade e economia. A maioria das grandes stablecoins é controlada por uma empresa que emite o token, guarda as reservas e retém os rendimentos gerados. O Open USD é operado pela Open Standard, uma empresa independente cujo conselho é formado pelos parceiros do consórcio, e não por um fundador ou grupo acionista único. O token será lançado de forma nativa na Solana, com previsão de expansão para outras redes futuramente.
Três decisões de design marcam o produto: parceiros podem emitir e resgatar OUSD sem custo e sem limite de volume, eliminando as barreiras comuns para grandes usuários corporativos; quase todo o rendimento das reservas retorna para os parceiros, após taxa de administração, em vez de ficar com uma só emissora; e o sistema é governado coletivamente pelos membros. A proposta é clara: se sua empresa movimenta bilhões por stablecoin, deve compartilhar a receita gerada por ela.
Quem está por trás do Open USD e como funciona o modelo
A lista de apoiadores diferencia o projeto de outros lançamentos de stablecoins. O consórcio Open Standard reúne redes de pagamento, bancos, gestores de ativos e plataformas digitais: Visa e Mastercard oferecem alcance global, Stripe e Shopify integram ao comércio eletrônico, BlackRock e BNY agregam credibilidade em gestão e custódia de ativos, Standard Chartered amplia a atuação internacional, Google contribui com distribuição de plataforma e Ripple acrescenta expertise em pagamentos cripto. Com mais de 140 empresas, trata-se de uma rede de distribuição que poucas stablecoins podem igualar.
Zach Abrams é o CEO fundador da Open Standard. A estrutura é tão importante quanto os nomes: com um conselho formado por parceiros, nenhuma empresa controla a emissão ou fica com todo o lucro, atraindo empresas que buscam reduzir dependência de um único emissor.
O motor econômico é o rendimento das reservas. Stablecoins mantêm bilhões em reservas e, com as taxas de juros atuais, isso gera receita significativa. A tabela abaixo mostra como o Open USD distribui essa receita de forma diferente das stablecoins tradicionais.
| Característica | Open USD (OUSD) | Stablecoin tradicional |
| Propriedade | Empresa independente, conselho com mais de 140 parceiros | Uma única empresa emissora |
| Rendimento de reserva | Quase todo retornado aos parceiros, após taxas | Fica quase todo com a emissora |
| Emissão e resgate | Sem custo e sem limite de volume para parceiros | Com taxas e faixas de volume |
| Governança | Coletiva, controlada pelos parceiros | Centralizada na emissora |
| Blockchain de lançamento | Solana no lançamento, mais redes no futuro | Varia conforme a emissora |
O ponto central é que o Open USD transforma a stablecoin de um produto alugado para uma rede coparticipada pelas empresas. Trata-se de uma mudança estrutural, não apenas de marketing.
Por que o Open USD impacta USDC e Circle
A Circle construiu seu modelo de negócios com base no rendimento das reservas da USDC, investidas principalmente em títulos do governo dos EUA e instrumentos de mercado monetário. Esses rendimentos são a principal fonte de receita da Circle. Quem mantém USDC, na prática, transfere esse rendimento à Circle. Esse modelo era viável enquanto não havia concorrência relevante no segmento regulado e amigável aos EUA.
O Open USD mira diretamente essa fonte de receita: ao devolver quase todo o rendimento para as empresas parceiras, oferece um incentivo econômico para grandes usuários migrarem, independentemente da tecnologia. Processadores de pagamento ou varejistas que movimentam bilhões via stablecoin agora podem obter receita que antes era cedida. Por isso, as ações da Circle caíram fortemente no anúncio — o mercado entendeu o Open USD como um ataque direto às margens, não apenas um concorrente distante.
Em abril de 2026, a USDT da Tether representava cerca de 62% do mercado de stablecoins e a USDC da Circle, aproximadamente 25%. O Open USD mira exatamente esse segmento regulado de dólar digital. Não precisa superar o Bitcoin ou reinventar o DeFi; basta convencer parte das empresas que já utilizam stablecoins de dólar de que vale a pena reter o rendimento.
O que muda para traders
A maioria dos leitores não irá emitir OUSD diretamente, já que essa operação é voltada a empresas. O impacto para traders é indireto, mas relevante: uma nova stablecoin robusta pode alterar onde a liquidez em dólar se concentra, quais pares têm os maiores livros de ofertas e como taxas e spreads evoluem no mercado.
Se o Open USD for amplamente adotado, três efeitos são esperados: a concorrência entre stablecoins deve reduzir taxas e spreads para grandes usuários; a liquidez pode se dividir entre mais tokens de dólar antes de se concentrar; e a pressão sobre a receita da Circle pode levar a mudanças na estrutura econômica da USDC, impactando produtos de rendimento e o mercado de empréstimo de cripto.
Por ora, o mais prudente é enxergar o Open USD como um indicativo das tendências do setor, e não como um ativo para buscar exposição imediata. O debate sobre stablecoins corporativas está crescendo, e grandes mudanças narrativas costumam impactar ativos e infraestrutura antes mesmo do lançamento dos produtos.
Riscos e questões em aberto
O maior ponto de atenção é que o Open USD ainda não está disponível. O lançamento foi anunciado para o final de 2026, e coordenar um consórcio de 140 empresas é mais complexo do que gerir uma única empresa. Governança colegiada pode atrasar decisões, e parceiros com interesses distintos nem sempre concordam. Datas vagas como “no final do ano” indicam possibilidade de atrasos.
Outro ponto é a regulação. A GENIUS Act, sancionada em julho de 2025 como Senate bill S.1582, criou um marco regulatório federal para stablecoins de pagamento nos EUA, permitindo a entrada de novos projetos como este. Atuar nesse cenário exige obrigações de reserva, transparência e conformidade que a Open Standard terá que atender antes e após o lançamento. Qualquer dificuldade nesse processo pode alterar o cronograma ou a lógica de compartilhamento de rendimentos.
Também permanece a dúvida quanto à adoção: grandes nomes trazem visibilidade, mas não garantem uso. Tether e Circle possuem anos de integrações, liquidez e confiança. Para as empresas, trocar de stablecoin envolve custos reais. O Open USD terá que converter sua lista de parceiros em volume transacional efetivo, um desafio que não se resolve apenas com anúncios.
Perguntas frequentes
O Open USD já está disponível?
Ainda não. O Open USD foi anunciado pela Open Standard com lançamento previsto para o final de 2026, sem uma data exata definida. O token deve ser lançado primeiro na Solana, com outras redes a seguir.
Quem controla o Open USD?
É operado pela Open Standard, empresa independente com conselho formado pelos parceiros do consórcio. Zach Abrams é o CEO fundador, mas o modelo de governança coletiva é o diferencial central.
Qual a diferença entre Open USD e USDC?
O principal diferencial está no destino do rendimento das reservas. A USDC repassa quase todo rendimento à sua emissora, enquanto o Open USD foi projetado para devolver quase todo o rendimento às empresas parceiras, além de não cobrar pela emissão e resgate e ter governança coletiva.
Por que as ações da Circle caíram após o anúncio do Open USD?
A maior parte da receita da Circle vem dos juros das reservas da USDC. O Open USD propõe repassar esse rendimento às empresas parceiras, sendo visto como ameaça direta à principal fonte de receita da Circle — por isso, as ações caíram cerca de 15% a 17% no dia do anúncio.
Resumo Final
O Open USD é o primeiro lançamento de stablecoin que desafia o modelo de receita da emissora, e não apenas sua tecnologia, o que explica o grande impacto no setor. O dado a observar não é o preço, mas a adoção: quantos dos mais de 140 parceiros realmente movimentarão pagamentos pelo OUSD após o lançamento, previsto para o final de 2026. Se Visa, Mastercard, Stripe e plataformas de comércio transferirem volumes relevantes ao OUSD, o mercado de stablecoins reguladas pode ganhar um novo protagonismo e pressionar as margens da Circle. Caso o consórcio enfrente dificuldades ou o modelo de partilha de rendimentos seja revisto, pode se tornar apenas mais um anúncio sem escala. Fique atento à data de lançamento, aos primeiros mercados a listar o OUSD e enxergue este movimento como um indicativo de para onde vai a liquidez em dólar no universo cripto.
Este artigo tem fins exclusivamente informativos e não constitui aconselhamento financeiro ou de investimento. Negociar criptomoedas envolve riscos. Sempre busque informações adicionais antes de tomar decisões de investimento.
