Resumo em Destaque Em 16 de abril de 2025, o ex-Secretário do Tesouro Henry Paulson alertou que os EUA enfrentam o risco de uma possível queda na demanda por títulos do Tesouro — um ciclo "vicioso" onde o aumento dos rendimentos amplia o déficit, impulsionando os rendimentos ainda mais. Ele defendeu um plano de contingência emergencial antes que os mercados enfrentem um impasse.
Quem é Henry Paulson e Por Que Seu Alerta é Relevante?
Henry Paulson foi o 74º Secretário do Tesouro dos EUA sob o presidente George W. Bush, sendo reconhecido pela atuação durante a crise financeira de 2008 — a maior crise de crédito desde a Grande Depressão. Ele coordenou o pacote de US$ 700 bilhões (TARP) e supervisionou a intervenção emergencial no Fannie Mae e Freddie Mac.
Quando Paulson fala sobre riscos no mercado de títulos, os mercados financeiros prestam atenção. Seu histórico confere peso aos seus alertas.
Em sua participação no programa Wall Street Week da Bloomberg Television, em 16 de abril de 2025, Paulson deu seu aviso mais contundente até então. Ele sugeriu que autoridades estejam prontas com um plano de emergência específico — uma intervenção de curto prazo para estabilizar a demanda por Treasuries antes que a crise se instaure.
Em suas palavras: "Quando você chega ao limite e tenta emitir Treasuries, e o Fed é o único comprador, os preços caem e as taxas de juros sobem, isso é perigoso."
O "Doom Loop" que Paulson Destaca
Para entender o motivo da preocupação de Paulson, é preciso compreender o mecanismo que analistas chamam de doom loop dos Treasuries:
- Investidores exigem rendimentos maiores para compensar o risco fiscal dos EUA.
- Rendimentos maiores aumentam os pagamentos de juros do governo, ampliando o déficit.
- O déficit maior aumenta a preocupação dos investidores, elevando ainda mais os rendimentos.
- O ciclo se repete até que o Congresso intervenha ou a confiança colapse.
O contexto torna esse risco mais agudo. A dívida nacional dos EUA já ultrapassa US$ 36 trilhões — mais de 100% do PIB — tendo crescido de cerca de US$ 10 trilhões na época de Paulson em 2008. Os pagamentos de juros já consomem uma parcela maior do orçamento federal do que os gastos militares.
Paulson foi direto quanto ao obstáculo político: "O Congresso só age diante de uma crise iminente." As soluções exigem aumento de receita, fechamento de brechas fiscais e reformas na Previdência e na saúde — medidas impopulares com baixa chance de aprovação preventiva.
O Que o Mercado de Títulos Já Sinaliza
O alerta de Paulson não surgiu isoladamente. O mercado de Treasuries já mostra sinais de estresse:
- Os rendimentos dos Treasuries de 30 anos passaram de 5% — patamar não visto desde outubro de 2023.
- Durante a escalada tarifária de abril de 2025, o rendimento dos Treasuries de 10 anos subiu mais de meio ponto percentual em uma semana — o maior salto semanal desde 2021.
- Em um rompimento raro, os Treasuries caíram junto com as ações nesse período, perdendo o papel tradicional de porto seguro.
O último ponto merece destaque. Por décadas, investidores institucionais usaram Treasuries como contrapeso ao risco em ações — quando as bolsas caem, os títulos sobem. Essa correlação foi rompida no ciclo de alta de juros de 2022 e novamente em 2025. Quando Treasuries deixam de atuar como porto seguro, não há proteção tradicional na carteira.
Como uma Crise dos Treasuries Pode Impactar os Mercados
Como os rendimentos dos Treasuries dos EUA são o referencial global livre de risco — base para precificação de ativos no mundo todo —, uma disrupção nesse mercado pode reprecificar praticamente tudo ao mesmo tempo:
- Taxas de hipoteca sobem, reduzindo a acessibilidade à moradia.
- Custo de crédito corporativo aumenta, pressionando empregos e lucros.
- Avaliações de ações comprimem, já que a taxa de desconto sobre lucros futuros sobe.
- O dólar pode ser pressionado para baixo se investidores estrangeiros venderem Treasuries.
- Crises em dívidas de mercados emergentes se intensificam, pois empréstimos em dólar ficam mais caros.
Esse cenário não é uma hipótese alarmista, mas uma sequência estrutural que Paulson — com experiência direta em gestão de crises no Tesouro — considera cada vez mais provável sem ações preventivas.
Onde a Cripto Entra Nessa História?
A reação do mercado cripto ao estresse nos Treasuries tem sido sutil, e merece atenção.
No curto prazo, Bitcoin e ativos digitais não atuaram como porto seguro durante períodos de venda de títulos. Durante o pico dos rendimentos dos Treasuries em abril de 2025, cripto teve queda junto das ações. O Bitcoin opera próximo de US$ 75.630, com valor de mercado em US$ 2,55 trilhões e o Fear & Greed Index em 55 (Neutro). O mercado ainda não está em crise, mas segue atento.
Em um cenário de crise prolongada, o contexto muda. Se o Federal Reserve precisar intervir comprando Treasuries — reiniciando um programa de afrouxamento quantitativo em meio à pressão fiscal — haverá expansão significativa da base monetária. Historicamente, a tese de proteção contra inflação do Bitcoin ganha força neste ambiente.
A ordem executiva do governo dos EUA de 2025, designando o Bitcoin como um ativo de reserva estratégico, acrescenta uma camada institucional que não existia em choques macro anteriores. Isso não elimina o risco de correlação no curto prazo, mas pode fortalecer o papel do Bitcoin em carteiras institucionais no longo prazo.
Traders atentos à volatilidade macro podem acessar posições alavancadas em Bitcoin e cripto, ferramentas de hedge e derivativos em tempo real na Phemex — onde futuros de BTC operam com até 100x de alavancagem junto de contratos de ouro, S&P 500 e petróleo, além de outros instrumentos TradFi, tudo em uma única conta.
O Que Investidores Devem Considerar Diante Dessas Informações?
Paulson enfatiza que prever o momento de uma crise nos Treasuries é impossível — mesmo com sua experiência. Seu alerta é estrutural, não uma previsão de colapso iminente.
Alguns princípios vêm sendo adotados por investidores atentos ao macro:
- Reduzir risco de duração em títulos (bônus de vencimento mais curto são menos sensíveis a altas de juros).
- Diversificar além de portfólios puramente americanos para reduzir exposição a Treasuries.
- Monitorar o rendimento dos Treasuries de 10 anos como indicador de estresse — rompimento sustentado acima de 5% é um sinal relevante.
- Considerar ativos reais e instrumentos de oferta limitada como hedge parcial em um ambiente de crédito fiduciário deteriorado.
Nada disso constitui aconselhamento financeiro. Cada investidor possui perfil de risco, horizonte e portfólio distintos.
FAQ
P: O que exatamente Henry Paulson alertou sobre o mercado de Treasuries? Paulson alertou para o risco de colapso da demanda, gerando um "doom loop" autossustentável — rendimentos subindo ampliam o déficit, que por sua vez eleva ainda mais os rendimentos. Ele sugeriu um plano emergencial para evitar uma desorganização total do mercado.
P: Uma crise nos Treasuries pode impulsionar o Bitcoin? No curto prazo, cripto historicamente cai junto de outros ativos de risco em períodos de estresse nos títulos. Porém, se o Fed precisar recorrer a estímulos emergenciais — comprando Treasuries em larga escala — a expansão da base monetária historicamente favoreceu o Bitcoin como proteção contra inflação. Não se trata de recomendação financeira.
P: Como negociar a volatilidade macro dos Treasuries? Phemex oferece exposição a ativos cripto (BTC, ETH e mais de 300 pares) e instrumentos financeiros tradicionais como ouro, petróleo e índices via TradFi. Isso permite operar em diferentes classes de ativos diante da volatilidade macro em uma plataforma unificada.
Este artigo tem caráter informativo e não constitui aconselhamento financeiro. Negociar cripto envolve riscos. Desempenho passado não garante resultados futuros.






