
Em 17 de junho de 2026, a senadora Cynthia Lummis (R-WY) uniu-se ao senador Ruben Gallego (D-AZ) para propor uma legislação que recomenda ao presidente Trump que não conceda perdão a Sam Bankman-Fried, fundador da FTX condenado a 25 anos de prisão em 2024. Para muitos senadores, essa é apenas uma posição padrão de defesa da ordem pública. Para Lummis, no entanto, é algo mais pessoal. Ela é a mais destacada defensora do Bitcoin no Congresso dos EUA, possui BTC há anos e é autora do BITCOIN Act, que propôs uma Reserva Estratégica Federal de Bitcoin. Assim, a pessoa que mais defende que um dos nomes mais controversos da indústria permaneça preso é também uma das vozes mais influentes em prol das criptomoedas no Senado.
Essa combinação destaca-se por seu significado. Lummis passou anos defendendo que o Bitcoin merece espaço no cenário político de Washington e não deseja que esse espaço seja compartilhado com alguém associado a fraudes envolvendo criptomoedas. A seguir, entenda quem é Cynthia Lummis, suas iniciativas no Senado em prol das criptomoedas e por que ela se opõe ao perdão de Bankman-Fried.
Quem é Cynthia Lummis
Cynthia Lummis é a senadora mais antiga pelos Estados Unidos representando o estado de Wyoming, eleita para o Senado em 2020 e a primeira mulher a representar Wyoming nessa casa. Antes disso, foi membro da Câmara dos Deputados de 2009 a 2017 e tesoureira do Estado. Com formação em direito e agropecuária, seu engajamento com ativos digitais é incomum em comparação a colegas que chegaram ao tema mais recentemente ou não o abordaram.
O que a diferencia no Congresso é que Lummis aplica seu próprio dinheiro nas políticas que defende. Ela declarou publicamente que possui Bitcoin, com compras reportadas desde 2013, como demonstram sua biografia oficial e perfil na Wikipedia. Ela não é uma política que tomou conhecimento do tema apenas por relatórios: investiu em BTC quando ainda valia algumas centenas de dólares e manteve sua posição mesmo durante períodos de queda de preço.
Essa trajetória influencia seu discurso sobre o ativo. Lummis enxerga o Bitcoin como uma tecnologia para poupança e proteção contra gastos governamentais excessivos, visão alinhada à tradição libertária de Wyoming e à iniciativa do estado em tornar-se referência em regulação amigável a criptomoedas. Enquanto Lummis ganhava destaque nacional, Wyoming aprovou leis sobre blockchain e bancos de ativos digitais, e ela tornou-se a principal porta-voz federal dessa pauta.
Defesa do Bitcoin e Projetos Legislativos
Lummis não é apenas investidora; ela legisla sobre o tema. É a senadora que mais propôs projetos pró-cripto e pró-Bitcoin nos últimos anos. Co-fundou e co-preside a bancada bipartidária de Inovação Financeira do Senado, grupo responsável por grande parte dos debates sobre políticas cripto na Casa.
Seu projeto inicial mais ambicioso foi o Lummis-Gillibrand Responsible Financial Innovation Act, elaborado em conjunto com a senadora Kirsten Gillibrand (D-NY). O projeto buscava responder à questão central do setor: quem regula o quê? Propôs delegar ao CFTC a supervisão do mercado à vista de commodities digitais, definições mais claras sobre quando um token seria valor mobiliário ou commodity, além de regras para stablecoins e custódia. Embora não tenha virado lei, muitos de seus conceitos influenciaram o debate legislativo em andamento.
Lummis também defende de forma consistente o direito à auto-custódia, mineração e operação de nodes, sendo crítica à regulamentação baseada exclusivamente em ações punitivas. A linha comum entre seus projetos é clara: ela deseja que as criptomoedas sejam tratadas como classe de ativos legítima e com regras claras, e não apenas como alvo de fiscalização. Essa abordagem explica sua posição rígida quanto a Bankman-Fried, já que casos como o da FTX reforçam a narrativa de repressão ao setor.
Reserva Estratégica de Bitcoin e o BITCOIN Act
O projeto que deu grande notoriedade a Lummis é o BITCOIN Act, que propõe uma Reserva Estratégica Federal de Bitcoin — detalhada em sua página no Congress.gov. O ponto central: o plano sugeria que os EUA adquirissem até 1 milhão de BTC em cinco anos, cerca de 5% do total de 21 milhões de moedas que existirão, mantendo esse montante por pelo menos 20 anos como ativo de reserva de longo prazo.
A proposta se inspira na lógica das reservas nacionais de ouro e petróleo. Lummis argumenta que uma reserva de Bitcoin pode fortalecer o balanço do país, ajudar a lidar com a dívida de longo prazo e posicionar o dólar perante um sistema financeiro cada vez mais digital. Para evitar novos gastos, a proposta previa mecanismos de financiamento como a revalorização de certificados de ouro já mantidos pelo Federal Reserve, sem exigir novos desembolsos dos contribuintes.
A ideia rapidamente ganhou relevância no debate, influenciando a discussão nacional sobre estratégia governamental para o Bitcoin e tornando a reserva estratégica um tema real em Washington. Apoiares enxergam a proposta como alocação soberana de riqueza; críticos apontam para a volatilidade e a percepção do governo especulando sobre um único ativo. Ambos os lados remetem ao projeto de Lummis e explicam porque ela protege tão intensamente a reputação do Bitcoin — é mais difícil defender a tese de reserva se a moeda estiver associada ao maior caso de fraude do setor.
Por que Ela se Opõe ao Perdão de SBF
É nesse contexto que surge a notícia de junho de 2026. Sam Bankman-Fried comandou a FTX e a Alameda Research até o colapso, em 2022, que gerou prejuízos bilionários a clientes. Ele foi condenado por várias acusações de fraude e conspiração, recebendo 25 anos de prisão em 2024. Em 2026, um pedido de perdão presidencial para Bankman-Fried entrou em discussão, impulsionando a atuação de Lummis e Gallego.
A legislação apresentada é um sinal claro à Casa Branca para manter a condenação. O argumento é coerente com o histórico de Lummis: para ela, o caso FTX não representa a tecnologia do Bitcoin, mas sim fraude tradicional com roupagem cripto, prejudicando clientes comuns. O perdão, nessa ótica, passaria o recado de que não há consequências reais para fraudes no setor.
A parceria bipartidária com Gallego reforça o tom apartidário da proteção ao investidor e integridade de mercado, postura que Lummis traz também para projetos de estrutura de mercado. O entendimento é: não se pode buscar legitimidade, ETFs e reservas estratégicas para o Bitcoin ao mesmo tempo em que se pede clemência para o principal caso de fraude do setor. Para Lummis, negar o perdão não contradiz sua defesa do Bitcoin, mas sim a reforça: tornar o setor respeitável exige combater crimes de forma exemplar.
É importante manter a análise justa. O perdão presidencial é prerrogativa do Executivo, e defensores da clemência também apresentam seus argumentos. O projeto Lummis-Gallego não decide a questão, mas registra de forma oficial a posição do segmento pró-cripto do Senado contra a leniência e traz o debate à tona.
O Que Isso Sinaliza para a Regulamentação das Criptomoedas
O ponto central para os traders está além da manchete: a senadora mais pró-Bitcoin do país lidera a defesa para manter um fraudador do setor preso. Isso indica como os aliados do setor em Washington querem ser percebidos — como defensores de mercados íntegros, não de más condutas.
Esse posicionamento impacta a futura regulação. Um Congresso que trata o cripto como classe de ativos legítima, com Bitcoin ETF movimentando bilhões e discussão sobre reserva estratégica, também exige regras severas contra fraudes. Não são objetivos opostos — regras claras e punições proporcionais criam o ambiente seguro para a entrada de grandes investidores institucionais.
Para o mercado, a mensagem é positiva mesmo sem um impacto direto de preço. O risco político influencia a exposição a cripto de grandes fundos, e uma postura estável e baseada em regras reduz esse risco ao longo do tempo. Observe se o movimento contra o perdão ganha mais apoio no Senado e seu impacto sobre as demais legislações de estrutura de mercado em trâmite. O mesmo grupo que busca negar o perdão é responsável por propor as regras que regerão exchanges, stablecoins e mercados de previsão para a próxima década.
Perguntas Frequentes
Quem é Cynthia Lummis?
Cynthia Lummis é senadora por Wyoming e a principal defensora do Bitcoin no Congresso norte-americano. Autora do BITCOIN Act, coautora de projetos regulatórios do setor e investidora de longo prazo em Bitcoin.
O que é o BITCOIN Act?
O BITCOIN Act é o projeto que propõe uma Reserva Estratégica Federal de Bitcoin, sugerindo que os EUA adquiram até 1 milhão de BTC em cinco anos e mantenham o ativo por pelo menos 20 anos como patrimônio nacional.
Cynthia Lummis possui Bitcoin?
Sim, conforme declarações públicas e registros oficiais, com compras desde 2013. Ela é uma das poucas parlamentares a investir pessoalmente no ativo que defende em políticas públicas.
Por que Lummis se opõe ao perdão de SBF?
Ela e o senador Ruben Gallego apresentaram projeto em 17 de junho de 2026 pedindo que o presidente Trump negue o perdão de Sam Bankman-Fried. Para Lummis, proteger as vítimas da FTX e a reputação do setor exige que o responsável pelo maior caso de fraude cumpra sua sentença.
Considerações Finais
Cynthia Lummis é uma política rara: investe naquilo que regulamenta, e esse histórico fundamenta seu posicionamento em 2026. A senadora que propôs a compra de 1 milhão de BTC para os EUA também atua para manter Sam Bankman-Fried preso, pois ambas as ações servem ao objetivo que ela busca desde 2013: tornar o Bitcoin uma classe de ativos respeitável e regulada. Acompanhe o número de apoiadores do projeto Lummis-Gallego e como a discussão sobre o perdão se conecta com os debates sobre estrutura de mercado. O grupo pró-cripto prioriza a integridade do mercado, o que sinaliza o rumo da política cripto nos EUA, independente de oscilações de preço.
Este artigo é apenas para fins informativos e não constitui aconselhamento financeiro ou de investimento. A negociação de criptomoedas envolve riscos. Sempre realize sua própria pesquisa antes de tomar decisões de investimento.
