O Projeto de Lei Passou na Câmara, Mas o Senado é o Verdadeiro Desafio
O Digital Asset Market Clarity Act de 2025 — conhecido como CLARITY Act — foi aprovado na Câmara dos Deputados dos EUA em julho de 2025 com ampla maioria bipartidária. Por um momento, o setor de cripto celebrou o que parecia ser um caminho claro para a primeira lei abrangente sobre mercado de ativos digitais na história dos EUA.
No entanto, ao chegar ao Senado, o projeto enfrentou obstáculos.
Até março de 2026, o projeto permanece estagnado no Senado, preso entre duas forças: o setor cripto buscando segurança regulatória e o lobby bancário norte-americano defendendo seu espaço. O ponto de tensão é se emissores de stablecoins e plataformas cripto poderão oferecer rendimentos sobre tokens atrelados ao dólar — uma funcionalidade que bancos argumentam ser similar a contas poupança sem as exigências de uma licença bancária.
Compreender essa disputa é fundamental. Ela não definirá apenas o destino de um projeto de lei, mas as regras estruturais que vão orientar como cada ativo cripto nos EUA será classificado, regulado e negociado nos próximos anos.
Divisão de Jurisdição: SEC vs. CFTC
Essencialmente, o CLARITY Act responde a uma questão antiga do setor cripto: Esse token é um valor mobiliário ou uma commodity?
O projeto cria três categorias distintas de ativos:
1. Commodities Digitais
Tokens com valor "intrinsecamente ligado" ao uso de uma blockchain — como Bitcoin, ETH (após o merge), SOL e a maioria dos tokens nativos de Layer-1 e Layer-2. Pelo CLARITY Act, esses ativos ficam sob jurisdição exclusiva da CFTC, responsável por supervisionar mercados à vista, impor regras contra fraudes e exigir registro de intermediários.
Isso representa uma mudança significativa. A SEC, sob o ex-presidente Gary Gensler, reivindicou autoridade sobre vários tokens, alegando serem valores mobiliários não registrados. O CLARITY Act reverteria essa postura para a maioria dos ativos cripto.
2. Ativos de Contrato de Investimento
Tokens vendidos em captações de recursos (como ICOs, SAFTs, vendas de tokens) que financiam projetos específicos permanecem sob supervisão da SEC — mas apenas durante a emissão e distribuição primária. Após a rede atingir "descentralização suficiente" (conforme critérios claros: distribuição, governança, uso funcional), o ativo migra para commodity digital, sob a CFTC.
3. Stablecoins Permitidas para Pagamento
Tokens atrelados ao dólar, como USDC e USDT, têm estrutura regulatória própria, e é justamente aí que surgiu o impasse no Senado.
A Disputa sobre Rendimentos em Stablecoins: Bancos vs. Cripto
O maior obstáculo para aprovação do CLARITY Act é a ausência de consenso sobre rendimentos em stablecoins.
Veja a cronologia:
O rascunho do Comitê Bancário do Senado proíbe provedores de ativos digitais de oferecer juros ou rendimentos aos usuários apenas por manter saldo em stablecoins. A justificativa: se uma plataforma cripto paga 4,5% ao ano sobre USDC parado, compete com contas poupança bancárias — porém, sem garantia do FDIC ou exigências impostas a bancos licenciados.
A Casa Branca propôs um compromisso em março de 2026: permitir rendimentos em contextos limitados (pagamentos P2P, empréstimos DeFi), mas proibindo sobre saldos inativos. Empresas cripto aceitaram o acordo.
A American Bankers Association rejeitou em 5 de março de 2026, chamando até mesmo o rendimento limitado de um "aval legal" para competir por depositantes.
Os senadores Angela Alsobrooks e Thom Tillis anunciaram em 10 de março que estão trabalhando em novo compromisso bipartidário, com discussão prevista para meados de março pelo Comitê Bancário. O prazo prático é maio-junho de 2026, antes das eleições legislativas. A secretária do Tesouro, Bessent, enfatizou a meta de aprovação para a primavera de 2026, enquanto mercados preditivos (Polymarket) indicam 72% de chance de assinatura presidencial.
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O Que Isso Significa para os Traders de Cripto na Prática
Se aprovado em formato próximo ao atual, o CLARITY Act terá efeitos relevantes para o trading:
Mais Tokens, Menos Zonas Cinzentas Legais
A reclassificação da maioria dos tokens nativos de blockchain como commodities digitais elimina incertezas legais. Projetos que adiaram lançamento nos EUA por dúvidas regulatórias terão caminho mais claro via registro na CFTC — ampliando o portfólio negociável em plataformas como a Phemex.
DeFi com Regulação Específica
O CLARITY Act prevê proteções para protocolos DeFi, diferenciando intermediários centralizados (que precisam se registrar) de protocolos realmente descentralizados (regulação mais branda). Isso favorece a valorização dos tokens DeFi e plataformas que conectam liquidez CeFi e DeFi.
Staking Não é Valor Mobiliário
O projeto esclarece que as recompensas de staking — rendimentos por validar redes proof-of-stake — não constituem oferta de valores mobiliários. Junto da recente aprovação de ETFs de ETH em staking pela SEC, cria-se um ambiente regulatório favorável para esse tipo de produto.
Rendimentos em Stablecoins: O Fator Indefinido
Caso o Senado permita rendimento limitado em stablecoins, surge uma nova categoria: produtos regulados de "poupança" em tokens atrelados ao dólar. Se o lobby bancário prevalecer e o rendimento for proibido, plataformas cripto precisarão recorrer a protocolos DeFi para oferecer tais produtos, o que adiciona complexidade, mas não elimina a funcionalidade.
Cronograma: Datas e Sinais Importantes
| Data | Evento |
|---|---|
| 10/03/2026 | Senadores anunciam novo esforço de compromisso |
| Meados de Março | Nova tentativa no Comitê Bancário do Senado |
| Abril de 2026 | Reconciliação de versões nas comissões |
| Maio–Junho 2026 | Prazo prático antes do impacto eleitoral |
| Odds Polymarket | 72% de chance de assinatura presidencial em 2026 |
Traders devem acompanhar de perto as votações em comitês. A aprovação enviará o projeto ao plenário do Senado, que irá unificar as versões e, depois, enviar para conferência com a Câmara e, por fim, para a sanção presidencial.
Como se Posicionar para a Nova Regulação
Independentemente do desfecho sobre rendimentos de stablecoins, a tendência é clara: os EUA caminham para um modelo regulatório liderado pela CFTC para commodities digitais. Isso favorece:
- Tokens Layer-1 (BTC, ETH, SOL) que se enquadram claramente como commodities digitais
- Tokens de governança DeFi beneficiados pelo tratamento diferenciado
- Plataformas de câmbio com infraestrutura de compliance pronta para adaptação
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FAQ
P: Quando o CLARITY Act deve virar lei? O projeto foi aprovado na Câmara em julho de 2025 e está parado no Senado por conta da discussão sobre rendimentos em stablecoins. O Tesouro dos EUA projeta aprovação para a primavera de 2026, e mercados de previsão indicam cerca de 72% de chance ainda este ano, com prazo prático até junho.
P: Como o CLARITY Act difere do FIT21? O FIT21, projeto anterior da Câmara em 2024, abriu o caminho para a divisão de jurisdição SEC/CFTC. O CLARITY Act aprofunda definições, traz novos critérios de descentralização, regras para DeFi e stablecoins, sucedendo o FIT21.
P: O CLARITY Act afetará minhas negociações de cripto? Sim. Se aprovado, a maioria dos tokens será reclassificada como commodities digitais sob supervisão da CFTC, ampliando os ativos disponíveis em plataformas reguladas nos EUA. Staking será reconhecido como atividade não mobiliária e haverá regras mais claras para protocolos DeFi, aumentando liquidez e reduzindo incertezas legais.
Este artigo é apenas para fins informativos e não constitui aconselhamento financeiro ou jurídico. Resultados regulatórios ainda são incertos e o texto pode ser alterado antes da aprovação final. Sempre faça sua própria pesquisa antes de tomar decisões de investimento.


