Em 17 de março de 2026, a SEC e a CFTC publicaram em conjunto um dos documentos regulatórios mais relevantes da história das criptomoedas nos EUA. Pela primeira vez, os reguladores criaram uma taxonomia formal que classifica todo criptoativo em uma de cinco categorias, nomeando explicitamente 16 tokens como mercadorias digitais (incluindo BTC, ETH, SOL e XRP) e declarando que a maioria dos criptoativos não são valores mobiliários. O presidente da SEC, Paul Atkins, afirmou de maneira objetiva minutos após a publicação durante o DC Blockchain Summit: “Não somos mais a Comissão de Valores Mobiliários de tudo.”
Essa decisão substitui uma década de práticas regulatórias contraditórias. Sob o ex-presidente Gary Gensler, a SEC argumentava que a maioria dos tokens (com exceção do Bitcoin) eram valores mobiliários, enquanto a CFTC considerava muitos desses mesmos tokens como mercadorias. As duas agências trouxeram interpretações conflitantes, dificultando a participação institucional e levando desenvolvedores para o exterior. A publicação conjunta não é uma proposta em consulta pública, mas uma declaração final de posicionamento que entra em vigor após sua publicação no Federal Register. O presidente da CFTC, Michael Selig, afirmou que isso sinaliza que “é hora de construir nos Estados Unidos.”
Veja o que significa cada uma das cinco categorias, quais ativos se enquadram em cada uma e por que esse novo enquadramento muda a perspectiva de todo investidor de criptomoedas.
Mercadorias Digitais: A Categoria Mais Importante
Conceito: Uma mercadoria digital é um criptoativo cujo valor deriva da operação programática de um sistema de cripto funcional, aliado à dinâmica de oferta e procura. O ponto crítico é que o valor não depende dos esforços gerenciais de um emissor central. Se a rede é genuinamente descentralizada e operante sem a dependência de uma empresa, o ativo é considerado uma mercadoria.
Tokens nomeados: A decisão lista explicitamente 16 ativos como mercadorias digitais: Bitcoin (BTC), Ethereum (ETH), Solana (SOL), XRP, Cardano (ADA), Chainlink (LINK), Avalanche (AVAX), Polkadot (DOT), Hedera (HBAR), Litecoin (LTC), Dogecoin (DOGE), Shiba Inu (SHIB), Tezos (XTZ), Bitcoin Cash (BCH), Aptos (APT) e Stellar (XLM).
Quem regula: A CFTC é responsável pelos mercados à vista de mercadorias digitais, não a SEC. Essa mudança significa que esses 16 ativos (e outros que cumpram os mesmos critérios) podem ser negociados em plataformas regulamentadas sem necessidade de registro como valores mobiliários.
Staking, mineração e airdrops são permitidos. A decisão afirma explicitamente que receber recompensas por mineração, participar de staking on-chain e receber airdrops de mercadorias digitais não são operações de valores mobiliários. Isso elimina um dos grandes riscos legais sobre redes de proof-of-stake e validadores desde a era Gensler.
Para quem detém esses ativos: Se você possui qualquer um desses 16 ativos, agora detém uma mercadoria reconhecida formalmente pela lei dos EUA. Exchanges que listam esses tokens têm um ambiente regulatório claro para operar, investidores institucionais que estavam distantes devido à incerteza jurídica agora têm sinal verde para participar, e fazer staking de ETH ou SOL não expõe você a riscos de enquadramento como valor mobiliário.
As Três Categorias Não Consideradas Valores Mobiliários: Colecionáveis, Ferramentas e Stablecoins
As categorias 2 a 4 compartilham o mesmo ponto fundamental: nenhuma delas é considerada valor mobiliário. Elas se diferenciam pelo que representam e como funcionam, mas para investidores, a mensagem regulatória é idêntica nas três.
Colecionáveis Digitais são NFTs que representam ativos digitais únicos como arte, música, memes, cards e itens de jogos. Cada um é diferente e não intercambiável, característica que distingue colecionáveis de mercadorias. Eles estão fora do âmbito das leis de valores mobiliários desde que representem colecionáveis genuínos e não veículos de investimento fracionados. O caso limite ocorre quando um projeto NFT promove seus tokens como investimento ou os fraciona em unidades fungíveis, o que pode levar à classificação como valor mobiliário nessas operações específicas.
Ferramentas Digitais são tokens utilitários que concedem acesso a um serviço, produto ou função de uma plataforma. Tokens usados para pagar computação em nuvem descentralizada, acessar serviços DeFi ou exercer direitos de governança em protocolos se encaixam aqui. O teste é simples: se você compra um token para utilizar um protocolo, ele é uma ferramenta digital. Se compra esperando valorização pelo trabalho da equipe, é outro caso. Essa categoria dá clareza jurídica a protocolos que operavam em zona cinzenta, onde seus tokens tinham utilidade real mas poderiam ser classificados como valores mobiliários sob a abordagem anterior.
Stablecoins como USDC e USDT não são mercadorias digitais nem valores mobiliários. Elas têm regulamentação específica, com requisitos de reservas e transparência, parcialmente definida pela GENIUS Act (norma para stablecoins aprovada em 2025 nos EUA). Stablecoins emitidas por emissores autorizados segundo essa lei não são consideradas valores mobiliários, mas aquelas que não seguem esse marco podem ser tratadas de forma diferente conforme sua estrutura. Para investidores, isso significa que as stablecoins usadas para liquidações e rendimento possuem tratamento regulatório próprio, sem se sobreporem às regras de valores mobiliários ou mercadorias.
Valores Mobiliários Digitais: O que a SEC Ainda Regula
Definição: Tokens emitidos através de contratos de investimento tradicionais, nos quais investidores fornecem capital esperando lucros derivados do esforço de gestão do emissor. É basicamente a aplicação do Teste de Howey ao universo cripto. Se uma empresa capta recursos vendendo tokens, promete retorno com base no esforço da equipe e a rede ainda não é descentralizada, esses tokens são valores mobiliários digitais.
Quem regula: A SEC mantém jurisdição total sobre valores mobiliários digitais, assim como sobre ações e títulos convencionais.
Atenção: tokens podem mudar de categoria. A decisão explica como um token pode começar como valor mobiliário e futuramente ser considerado mercadoria digital, uma vez que a rede se torne realmente descentralizada. Uma captação inicial com venda de tokens por um time centralizado com promessa de retorno cria um valor mobiliário. Mas, após o lançamento e descentralização da rede, se o valor do token passar a derivar do funcionamento do sistema e não do esforço da equipe, ele pode ser reclassificado como mercadoria.
Como isso funciona na prática: A maioria dos tokens de ICO lançados entre 2017 e 2019, em que times centralizados captaram recursos com promessa de retorno explícita, seguiria sendo classificada como valor mobiliário neste novo modelo. Novos tokens de redes genuinamente descentralizadas já podem ser classificados como mercadoria desde o lançamento. A possibilidade de migrar de valor mobiliário para mercadoria dá aos projetos existentes um caminho claro para sair do enquadramento de valores mobiliários à medida que se descentralizam.
Contratos de Investimento: O Caso do XRP
A taxonomia introduz uma distinção importante, frequentemente negligenciada até por investidores experientes: a diferença entre a classificação de um ativo e a maneira como ele é vendido.
Uma mercadoria digital ainda pode ser oferecida via contrato de investimento que aciona as leis de valores mobiliários. Se uma empresa faz promessas específicas sobre retorno futuro atrelado ao seu esforço gerencial ao vender uma mercadoria, aquelas vendas específicas podem ser consideradas operações com valores mobiliários mesmo que o token, em si, seja uma mercadoria.
Foi exatamente o que ocorreu com o XRP. A decisão nomeia o XRP como mercadoria digital, confirmando que o token em si não é valor mobiliário. Mas as vendas institucionais feitas pela Ripple em 2018, com promessas específicas de retorno, caracterizam contratos de investimento pelo Teste de Howey. O token sempre foi uma mercadoria, mas a forma de venda gerou a questão regulatória. Entender essa diferença é essencial: o ativo pode ser uma mercadoria, mas se vendido com promessa de retorno, aquela venda específica pode ser tratada como valor mobiliário.
Perguntas Frequentes
Isso significa que todas as criptomoedas estão agora legalizadas nos EUA?
Não. A decisão classifica os criptoativos em cinco categorias e esclarece quais estão fora do âmbito das leis de valores mobiliários. Valores mobiliários digitais seguem totalmente sob regulação da SEC. E até mesmo mercadorias digitais podem ser tratadas como valores mobiliários se vendidas por meio de contratos de investimento com promessa de retorno. O que muda é o fim da presunção de que a maioria dos tokens são valores mobiliários, em contraste com a abordagem anterior.
O meu altcoin preferido é agora uma mercadoria digital?
Apenas se cumprir os critérios: valor derivado do funcionamento da rede e oferta/procura, não do esforço de uma equipe centralizada, e a rede ser genuinamente descentralizada. Os 16 ativos citados são confirmados. Para outros, a análise segue o mesmo teste. A SEC indicou que regras detalhadas ainda serão publicadas.
Isso afeta como opero na Phemex?
O impacto prático é positivo. A regulamentação mais clara facilita a entrada de capital institucional, mais exchanges operando com confiança jurídica e o risco de um token ser classificado retroativamente como valor mobiliário é reduzido. Para quem faz staking, a confirmação explícita de que staking não é operação de valor mobiliário elimina uma incerteza jurídica relevante. Você pode negociar todas as 16 mercadorias digitais na Phemex e obter rendimento pelo Phemex Earn com clareza regulatória como nunca antes no mercado cripto.
Considerações Finais
O ponto mais relevante da decisão de 17 de março não é classificar tokens específicos, mas dar ao mercado uma estrutura que perdure além de ativos ou governos pontuais. Durante anos, traders operaram sob incerteza, podendo a SEC reclassificar ativos retroativamente. Essa ambiguidade chega ao fim. Pela primeira vez, investidores de cripto nos EUA podem saber, sob o ponto de vista regulatório, exatamente o que possuem.
Este artigo tem finalidade exclusivamente educativa e não constitui aconselhamento jurídico ou financeiro. Estruturas regulatórias evoluem e a SEC já sinalizou que novas regras estão por vir. A classificação dos tokens pode mudar conforme o desenvolvimento das redes ou em função de novas orientações. Consulte um profissional qualificado para obter aconselhamento jurídico específico à sua situação.






