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Quem é Jeremy Allaire e por que o fundador da Circle está criando sua própria blockchain?

Pontos-chave

Jeremy Allaire levantou US$ 222 milhões para a Arc em maio de 2026 com apoio de BlackRock, Apollo e a16z. Descubra o perfil do fundador, sua trajetória e o impacto da Arc para o USDC.

Jeremy Allaire é cofundador e CEO da Circle, e em 11 de maio de 2026, a empresa que ele lidera há quase treze anos concluiu uma pré-venda de US$ 222 milhões para sua blockchain própria de Layer 1, alcançando uma avaliação totalmente diluída de US$ 3 bilhões. A lista de investidores reúne grandes nomes do setor financeiro tradicional. A rodada foi liderada pela a16z crypto, com US$ 75 milhões, e contou com BlackRock, Apollo Funds, Intercontinental Exchange (controladora da Bolsa de Nova York), SBI Group, Standard Chartered Ventures, Janus Henderson, ARK Invest e Bullish. Arc representa a aposta de Allaire de que a próxima fase do crescimento das stablecoins não será apenas emitir mais USDC, mas sim controlar a infraestrutura sobre a qual o USDC opera.

Veja como um graduado em filosofia da Macalester tornou-se líder de uma das maiores operações de stablecoin do mundo, as três empresas que construiu antes da Circle, os anos em que o USDC quase perdeu para a Tether e por que, agora, Allaire afirma que quer operar a própria economia, indo além do papel de emissor de stablecoin.

De Minneapolis à Macalester e ao ColdFusion em 1995

Allaire nasceu em 13 de maio de 1971 e cresceu em Minneapolis. Cursou a Macalester College em Saint Paul, graduando-se em 1993 em ciência política e filosofia, com concentração em economia. Diferentemente de muitos fundadores técnicos das maiores empresas de infraestrutura cripto, Allaire não veio da engenharia. Sua formação é na teoria política, e ele já afirmou em diversas entrevistas que as escolas Montessori que frequentou influenciaram sua visão sobre descentralização, autodireção e o papel da governança.

A primeira empresa surgiu dois anos após a faculdade. Em 1995, Jeremy e seu irmão JJ Allaire fundaram a Allaire Corporation em Minneapolis para comercializar um produto criado por JJ chamado ColdFusion, o primeiro servidor de conteúdo web orientado a banco de dados. O ColdFusion foi lançado em julho de 1995, três meses antes do Windows 95, tornando-se uma das primeiras ferramentas padrão para desenvolvimento de sites dinâmicos. A Allaire Corporation abriu capital na Nasdaq em janeiro de 1999 e foi adquirida pela Macromedia em 20 de março de 2001 por aproximadamente US$ 360 milhões. Allaire permaneceu como CTO da Macromedia entre 2001 e 2003, depois ingressando na General Catalyst como tecnólogo e executivo residente.

Dois padrões dessa primeira empresa se repetem em toda a trajetória de Allaire: ele comercializa infraestrutura (não aplicativos), criando bases para que outras empresas desenvolvam seus produtos, e entra em mercados no momento em que estão prestes a escalar, lançando produtos antes da definição dos padrões. ColdFusion ganhou distribuição porque a web era um novo mercado; USDC ganhou tração porque stablecoins eram uma nova categoria; e Arc, se bem-sucedida, poderá crescer pelo fato de o setor financeiro institucional estar migrando para o on-chain.

Brightcove e a aposta em vídeo online que veio cedo demais

A segunda empresa de Allaire foi a Brightcove, fundada em 2004 com apoio da General Catalyst, Accel e AOL. Brightcove era uma plataforma de vídeo online voltada para organizações de mídia e marketing, num momento em que o YouTube ainda não existia e a maioria dos sites enfrentava dificuldades até para incorporar um único vídeo. A premissa era que marcas e publishers precisariam de infraestrutura profissional para vídeo, sendo a Brightcove a solução do tipo AWS para esse segmento. Embora a tese fosse correta em essência, a execução foi prematura.

A Brightcove realizou um IPO na Nasdaq em fevereiro de 2012 a US$ 11 por ação. Em 2013, o mercado de vídeo para consumidores já era dominado por YouTube e Facebook, e o segmento corporativo visado pela Brightcove se mostrou menor do que o esperado pelos fundadores. Em 31 de janeiro de 2013, Allaire anunciou sua saída do cargo de CEO para se tornar chairman, com o então COO David Mendels assumindo a liderança. Esta transição permitiu que Allaire fundasse sua terceira empresa nove meses depois: a Circle.

Por que a Circle existia antes do USDC

Para muitos, a Circle é conhecida como emissora do USDC, a segunda maior stablecoin e a única negociada publicamente em conformidade com o MiCA. Mas, quando fundada em outubro de 2013 por Sean Neville e Jeremy Allaire, com US$ 9 milhões em aporte de Jim Breyer, Accel e General Catalyst, a empresa tinha outro foco. O primeiro produto da Circle era uma carteira de Bitcoin para consumidores, competindo com a Coinbase e apostando que moedas digitais substituiriam as redes de pagamentos tradicionais.

A carteira não obteve sucesso. Em 2016, a Circle mudou radicalmente o foco para um aplicativo de pagamentos sociais, depois pivotou novamente para mesas de negociação OTC e, em 2018, vendeu esse negócio para a Kraken. Os cinco primeiros anos da Circle foram uma sequência de tentativas em áreas relacionadas ao cripto, que não se tornaram o core business, até a decisão fundamental de 2018.

Em maio de 2018, Allaire e Neville anunciaram na Consensus que a Circle cofundaria o consórcio Centre com a Coinbase para emitir uma stablecoin lastreada em dólar. O USDC foi lançado em 26 de setembro de 2018 na Ethereum, entrando em um mercado dominado pela Tether, que tinha quatro anos de vantagem e fama de pouca transparência, ponto que a Circle usou como diferencial. O USDC seria sempre lastreado 1:1 por caixa e títulos do Tesouro norte-americano de curto prazo, auditado mensalmente e emitido por uma instituição licenciada nos EUA, aberta a reguladores. A Tether não seguia esses princípios.

Os anos em que a Circle quase perdeu

Entre 2018 e 2022, a trajetória de crescimento do USDC foi contínua: o suprimento saiu de zero para mais de US$ 50 bilhões em quatro anos, por pouco não alcançando a Tether em volume regulado. Em março de 2023, o cenário mudou. O Silicon Valley Bank colapsou no dia 10 daquele mês, comprometendo cerca de US$ 3,3 bilhões das reservas da Circle, e o USDC desvalorizou para cerca de US$ 0,87 antes da atuação do FDIC. O episódio provocou saques superiores a US$ 10 bilhões em poucos dias. Ao final da crise, a Circle havia perdido cerca de metade da oferta de USDC e a Tether voltou a liderar com folga.

A resposta de Allaire é fundamental para entender a proposta da Arc. O Centre Consortium com a Coinbase foi dissolvido em agosto de 2023; a Coinbase passou a ser acionista da Circle e esta tornou-se a única administradora do USDC. As reservas foram transferidas para fundos de mercado monetário geridos pela BlackRock, a Circle buscou relações bancárias na Europa e Ásia, obteve licença EMI na França para atender ao MiCA e reestruturou sua infraestrutura de resgates para lidar com resgates bilionários sem interrupções.

Em 2024, quando entrou com pedido de IPO, o USDC já havia recuperado a paridade e voltava a crescer. O IPO de junho de 2024 na NYSE sob o ticker CRCL foi precificado em US$ 31 por ação, levantando cerca de US$ 1,05 bilhão e avaliando a empresa em US$ 8 bilhões. As ações chegaram a US$ 298 nos meses seguintes antes de enfrentarem maior volatilidade. A Phemex cobriu um dos períodos de queda no artigo explicativo sobre a queda do CRCL associada ao banimento de rendimento em stablecoin.

O que Allaire dizia em 2024 e o que diz agora

Durante boa parte do período pós-IPO, Allaire apresentava a Circle como uma empresa de stablecoin, com modelo baseado no spread entre reservas de USDC e rendimentos de Treasuries. Essa visão era precisa, mas limitava o potencial atribuído pelo mercado público à CRCL, pois fazia a Circle parecer apenas uma aposta alavancada em juros dos EUA, e não uma infraestrutura financeira.

No final de 2025, Allaire começou a mudar o discurso, especialmente após o marco regulatório GENIUS Act, que proibiu rendimentos sobre stablecoins e obrigou a Circle a propor uma nova narrativa de crescimento. A nova visão é que a Circle deve emitir o dólar e também operar a infraestrutura por onde o dólar circula — daí nasce o projeto Arc.

O que é a Arc e o que ela muda para a Circle

Arc é uma blockchain Layer 1. Utiliza USDC como token de gás nativo, roda contratos inteligentes compatíveis com EVM, oferece finalização de transações em sub-segundos e privacidade opcional, sendo projetada especificamente para o setor financeiro institucional. A pré-venda concluída em 11 de maio vendeu 740 milhões de tokens ARC a US$ 0,30 cada, captando US$ 222 milhões e avaliando a rede em US$ 3 bilhões antes mesmo do lançamento do mainnet, previsto para 2026.

Fase CircleAnosPapelModelo de negócios
Carteira de consumidor2013-2016AppExchange de cripto para varejo
Pagamentos e OTC2016-2018AppNegociação para consumidores e instituições
Emissor do USDC2018-2025InfraestruturaSpread de reservas + taxas de resgate
Operador de finanças on-chain2026 em dianteInfraestrutura + protocoloEmissão de stablecoin + gas Arc, sequenciamento e serviços on-chain

A aposta é que, se as finanças institucionais migrarem para o on-chain, a blockchain que capturar o volume será aquela desenhada para compliance, liquidação rápida e USDC como token nativo. Allaire afirma que Arc pode "operar a economia real", incluindo não só contratos, mas sistemas de governança que sustentam relações financeiras — o que diferencia a Arc de outras blockchains EVM. Aqui, Allaire retoma suas raízes teóricas e discute governança.

O risco é que a Circle nunca operou uma blockchain antes, competindo com Ethereum, Solana, Base e blockchains institucionais de Stripe e Coinbase. Os tokens ARC ainda não são negociáveis, o mainnet não foi lançado e o ambiente regulatório para uma empresa listada emitir tokens em pré-venda é um território novo.

O perfil por trás de tudo isso

Allaire está na faixa dos 50 anos, é casado e reside em Boston. Atua como executivo no setor cripto há mais tempo do que a maioria, e sua participação em audiências no Congresso dos EUA e órgãos reguladores da UE ajudou a moldar normas como a GENIUS Act e o MiCA. Após o IPO, manteve cerca de 23,7% do poder de voto da CRCL, com patrimônio estimado em mais de US$ 2 bilhões. É um dos poucos fundadores do setor a construir três empresas com saídas relevantes: Allaire Corporation vendida por US$ 360 milhões, Brightcove com IPO em 2012 e Circle com IPO em 2024. Arc é sua quarta aposta — e BlackRock e Apollo investiram US$ 222 milhões nela.

Perguntas frequentes

Jeremy Allaire ainda é CEO da Circle?

Sim. Allaire é CEO da Circle desde a fundação em outubro de 2013 e permanece como CEO e chairman. Sean Neville deixou o cargo de co-CEO em 2019, mas permanece no conselho.

Qual a participação de Jeremy Allaire na Circle?

Após o IPO de junho de 2024, Allaire manteve cerca de 23,7% do poder de voto. Vendeu cerca de 1,5 milhão de ações no IPO e em uma oferta secundária dois meses depois. Sua participação restante está avaliada em cerca de US$ 2 bilhões, valor que varia conforme o preço das ações.

O que é Arc e como difere de Ethereum ou Solana?

Arc é a blockchain própria da Circle, desenhada para finanças institucionais, não aplicações de consumo. Usa USDC como token de gás, oferece finalização em sub-segundos, contratos inteligentes compatíveis com EVM e privacidade opcional. O diferencial é que Arc prioriza compliance e liquidação nativa de stablecoin, algo que Ethereum e Solana não oferecem nativamente.

Por que Allaire mudou o foco da Circle de emissora de stablecoin para blockchain?

O GENIUS Act proibiu rendimentos em stablecoins, reduzindo o modelo tradicional de receita da Circle. Allaire reposicionou a empresa como operadora de finanças on-chain, e a Arc é a camada de infraestrutura para esse novo posicionamento. A estratégia faz a Circle competir não só em market share de stablecoin, mas também por volume institucional on-chain.

Considerações finais

Allaire fez a maior aposta de sua carreira, com o maior suporte já dado pelo setor financeiro tradicional a uma blockchain. Os US$ 222 milhões são pequenos frente ao volume gerido por BlackRock, Apollo e a16z, mas o sinal dado é relevante, pois esses investidores não apostam apenas por convicção.

Três pontos a acompanhar em 2026: o lançamento do mainnet da Arc (quanto mais demorar, mais tempo Stripe Bridge e Base da Coinbase podem capturar volume); o desempenho das ações CRCL em relação à Tether; e as audiências de Allaire no Congresso, pois o ambiente regulatório para um emissor listado operar uma blockchain própria ainda está sendo construído, e ele será uma das vozes nesse processo.

Em três décadas, Allaire construiu infraestrutura para que outros criassem valor. Agora, com Arc, a Circle assume o protagonismo.

Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui conselho financeiro ou de investimento. A negociação de criptomoedas envolve riscos significativos. Sempre realize sua própria pesquisa antes de tomar decisões.

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