
Balaji Krishnamurthy está à frente do departamento financeiro da Uber há menos de seis meses e suas decisões já impactaram o maior movimento das ações da empresa neste ano. Krishnamurthy é o diretor financeiro (CFO) da Uber, o executivo responsável por aprovar como a empresa utiliza seu caixa enquanto avança em projetos como veículos autônomos e entrega por drones. As ações da Uber fecharam na sexta-feira, 7 de agosto, a $75,02, uma alta de 5,30% no dia, completando um round trip de 10,03% em dois dias desde o fechamento de $68,18 na quarta-feira, que havia refletido uma previsão mais branda do Q3. Comentários de analistas, redução do short interest e compra institucional contribuíram, mas o fator principal na sexta-feira foi o discurso público do CEO Dara Khosrowshahi sobre o avanço em veículos autônomos e entregas por drones em 10-15 minutos — exatamente a estratégia que o time financeiro de Krishnamurthy financia e defende em cada resultado trimestral.
Isso explica por que vale a pena conhecê-lo neste momento, mas também faz dele uma figura difícil de encontrar explicações detalhadas. Uma busca com seu nome traz apenas a página de liderança da Uber, um perfil no LinkedIn e um dossiê em agregadores de dados. Não há página na Wikipedia nem um perfil independente que explique quem ele é, o que de fato controla e por que um executivo de finanças, e não o CEO, é o responsável por definir até onde a Uber vai apostar em uma iniciativa tão ousada.
Por que o Executivo por trás da Aposta em Robotáxis da Uber é Relevante Nesta Semana
As ações da Uber fizeram mais do que apenas se recuperar após a queda pós-resultado. Apagaram toda a perda e foram além disso. O fechamento de $68,18 na quarta-feira refletiu frustração com o guidance do Q3, que ficou abaixo do esperado em meio a um trimestre forte — midpoint de gross bookings em $59,25 bilhões, cerca de $80 milhões abaixo do consenso, e lucro (non-GAAP EPS) entre $0,84-0,88, cerca de 3 centavos abaixo das expectativas. A diferença foi ampliada após o recorde do Q2. Na quinta-feira, houve um repique de 3,36%, fechando a $70,47, e a sexta-feira adicionou mais 5,30%, encerrando em $75,02 — um ganho de 10,03% em dois pregões, revertendo totalmente a queda (em Phemex você encontra a cobertura completa da reversão session-by-session).
Nenhum desses fatores mudou os números do guidance. O que mudou foi a forma como o mercado passou a pesar esses números frente ao restante das informações da call, e a insistência no avanço em veículos autônomos e entregas por drone, tema recorrente nos comentários pós-resultado citados por traders. Essa direção passa pelo gabinete de Krishnamurthy, que decide quanto do caixa da Uber vai para uma aposta tecnológica que só dará retorno em longo prazo — em vez de buybacks ou reforço do balanço, o que agrada acionistas imediatistas. Um rali sustentado em parte por confiança nessa aposta torna fundamental entender quem é o responsável pela alocação.
Do Goldman Sachs à Liderança da Uber
Krishnamurthy assumiu a posição de CFO em 16 de fevereiro de 2026, sucedendo Prashanth Mahendra-Rajah, que permaneceu como conselheiro sênior de finanças durante a transição. Praticamente toda sua carreira foi em duas empresas, e a trajetória entre elas explica muito da visão de negócios que aplica agora.
| Cargo | Organização | Período |
| VP Equity Research, US Hardware and Communications Technology | Goldman Sachs | 2011-2019 |
| VP Finanças Estratégicas e Relações com Investidores | Uber | 2019-atual |
| Head de Relações com Investidores | Uber | simultâneo à função de finanças estratégicas |
| CFO Divisional, Mobilidade e Delivery | Uber | antes de fev 2026 |
| Diretor Financeiro (Chief Financial Officer) | Uber | 16 fev 2026-presente |
Antes da Uber, Krishnamurthy passou cerca de oito anos no Goldman Sachs, em São Francisco, cobrindo hardware e tecnologia de comunicações dos EUA como VP de equity research. Uma bagagem baseada em avaliar se gastos com tecnologia vão gerar retorno — habilidade diferente de contabilidade pura, e relevante para uma empresa apostando bilhões em direção autônoma. Em 2019, ingressou na Uber, passando por finanças estratégicas, relações com investidores e, depois, controlando a operação financeira das duas maiores unidades, Mobilidade e Delivery, antes da promoção ao topo. É graduado em Engenharia Eletrônica pelo Manipal Institute of Technology, possui MBA pelo Management Development Institute e é CFA charterholder.
O Que um CFO Realmente Controla Quando a Companhia Aposta em Autonomia
O diretor financeiro não define a estratégia de produto. Khosrowshahi decide se a Uber investe ou não em robotáxis e entrega por drones. O que Krishnamurthy controla é o maquinário por trás dessa decisão: como o dinheiro é alocado, como o balanço é protegido e como a narrativa é apresentada ao investidor avaliando se vale apostar junto.
A Uber acaba de fechar seu primeiro período de doze meses gerando mais de US$10 bilhões em free cash flow — um marco que vale mais do que apenas o número absoluto. Free cash flow é o caixa gerado após despesas operacionais e investimentos de capital; é o montante sobre o qual o CFO, de fato, tem poder de decisão. Superar os US$10 bilhões pela primeira vez dá a Krishnamurthy liberdade real para financiar três prioridades concorrentes ao mesmo tempo. Programas de recompra de ações retornam capital ao acionista, sustentando o preço das ações. Reforçar o balanço (reservas de caixa e redução de dívida) garante fôlego em crises. E o avanço em veículos autônomos e drones é a aposta cara, de longo prazo, que pode demorar a gerar seu próprio free cash flow, se é que isso vai acontecer em grande escala. É o mesmo dilema de toda big tech pública que acumula excedente de caixa, não importa se a aposta é autonomia veicular ou alocação de tesouraria corporativa em Bitcoin.
O instrumento que Krishnamurthy usa publicamente é o guidance. Ele não pode prometer um prazo específico para veículos autônomos — ninguém na Uber controla as aprovações regulatórias ou as parcerias de hardware que ditarão o ritmo desse mercado. O que ele faz é definir metas de gross bookings e margens que indicam ao mercado quanta parte do free cash flow está sendo destinada à aposta nos AVs em cada trimestre. O guidance abaixo do esperado na quarta-feira é prova do que acontece quando o mercado julga esse redirecionamento como grande ou arriscado demais. A reação positiva nos dias subsequentes mostra o que ocorre quando o sentimento inverte.
O Assento no Conselho da Waabi é o Sinal
Desde setembro de 2024, Krishnamurthy integra o conselho da Waabi, uma startup de caminhões autônomos, decisão que antecedeu seu cargo de CFO em cerca de um ano e meio. A Waabi não compete com a Uber, e o assento não é compensação listada em formulário — é um indicativo de onde ele, pessoalmente, enxerga o futuro dos setores de frete e mobilidade, um compromisso assumido antes mesmo de ter a ordem executiva para financiar AVs dentro da Uber.
Normalmente, um CFO de empresa listada não faz parte do conselho de uma startup de veículos autônomos salvo se tem interesse genuíno pela indústria. É o mesmo instinto que levou a SpaceX a seguir investindo durante sua própria semana crítica, em que o fim de lockups e anúncio de fábrica semicondutora colidiram — e o mercado premiou o risco, não puniu. Assentos em conselhos de AV privados colocam o executivo dentro dos debates de captação, roadmaps técnicos e entraves regulatórios vividos na indústria em tempo real, experiência que vai muito além do que consta nos balanços trimestrais da Uber. Analisar esse cargo na Waabi junto da disposição para defender um trimestre “leve” em guidance, centrado na mesma tecnologia, oferece um quadro completo: trata-se de um CFO convencido da autonomia antes mesmo do mandato formal para financiá-la. Esse contexto vale mais do que qualquer outra info no perfil institucional ao estimar com que firmeza ele sustentará a aposta, mesmo diante de pressão do mercado.
Como Ler o Próximo Guidance
O sinal mais claro não virá de comunicado à imprensa, mas sim da diferença entre o guidance trimestral da Uber e o consenso de gross bookings do mercado, observando se esse gap diminui ou aumenta em relação ao que derrubou as ações 5,29% recentemente. Se o gap diminuir, Krishnamurthy estará calibrando o gasto em AVs de forma mais conservadora após a reação do mercado. Se o guidance decepcionar de novo, na mesma intensidade, porém for defendido com paixão por Khosrowshahi, a mensagem é que a aposta financeira segue firme, independentemente das oscilações de curto prazo nas ações.
Dois eventos confirmariam, sob ótica financeira, que a aposta nos AVs está funcionando: primeiro, free cash flow mantendo-se perto ou acima de US$10 bilhões mesmo com gastos crescentes em AVs e drones — demonstrando que o core business banca a aposta sem comprometer o balanço. Segundo, guidance de gross bookings deixando de ficar dezenas de milhões abaixo do consenso, justamente o que trouxe volatilidade na última quarta-feira — mostraría que o mercado e o time de Krishnamurthy passaram a trabalhar com as mesmas premissas. Sem esses sinais, a dinâmica desta semana (queda por guidance, recuperação por sentimento) tende a se repetir todo trimestre até um lado ceder.
Aliás, esse padrão vai além da Uber. Empresas públicas destinando free cash flow para apostas tecnológicas longas e incertas, em vez de apenas buybacks, refletem a mesma lógica vista em mega apostas em infraestrutura de IA. Por isso, a propensão ao risco em ações e cripto geralmente caminham juntas nessas semanas. Não é que Uber e Bitcoin subam pelo mesmo motivo — mas quando investidores aceitam (e até premiam) uma empresa por apostar pesado em inovação não comprovada, essa tolerância ao risco também se manifesta nos fluxos para infraestrutura cripto e ativos adjacentes (o conteúdo sobre mercado de trabalho e expectativas de Fed cobre o pano de fundo macro por trás desse apetite).
Perguntas Frequentes
Quem é o CFO da Uber?
Balaji Krishnamurthy é o Chief Financial Officer da Uber, cargo que assumiu em 16 de fevereiro de 2026, sucedendo Prashanth Mahendra-Rajah. Antes, foi CFO divisional de Mobilidade e Delivery na Uber e permaneceu quase uma década na área de equity research do Goldman Sachs antes de ingressar na empresa em 2019.
Quando Balaji Krishnamurthy se tornou CFO da Uber?
Ele assumiu oficialmente como CFO em 16 de fevereiro de 2026, após a saída de Prashanth Mahendra-Rajah. Mahendra-Rajah permaneceu como conselheiro durante o período de transição.
O que Balaji Krishnamurthy fazia antes de entrar na Uber?
Entre 2011 e 2019, trabalhou como vice-presidente de equity research no Goldman Sachs, cobrindo empresas norte-americanas de hardware e tecnologia de comunicações. Essa experiência de análise é parte do motivo pelo qual sua visão sobre o investimento em AVs na Uber é especialmente valorizada entre os investidores.
Balaji Krishnamurthy integra o conselho de alguma empresa de veículos autônomos?
Sim. Desde setembro de 2024, ele faz parte do conselho da Waabi, empresa de caminhões autônomos. O cargo foi assumido antes de sua promoção a CFO da Uber, mostrando convicção pessoal sobre o setor de AV, anterior ao mandato para financiar a aposta na própria Uber.
Resumo Final
Krishnamurthy está há seis meses em um cargo onde sua principal decisão pública é quanto do recorde de free cash flow será direcionado para uma aposta de retorno incerto no longo prazo. Se o próximo guidance da Uber reduzir o gap que custou 5,29% às ações e o free cash flow se mantiver próximo dos US$10 bilhões nos 12 meses, o mercado terá confirmação de que a aposta nos AVs e o business core conseguem coexistir. Se o guidance decepcionar de novo e Khosrowshahi mantiver o discurso de convicção, espere a mesma dinâmica: queda inicial seguida de recuperação baseada em sentimento. O assento no conselho da Waabi é o detalhe chave: Krishnamurthy já apostava em autonomia com seu tempo antes de precisar justificar o gasto em calls de resultado — perfil de quem dificilmente irá recuar ao menor desconforto de guidance.
Este artigo tem finalidade informativa e não constitui recomendação financeira ou de investimento. A negociação de criptomoedas envolve riscos elevados. Sempre faça sua própria pesquisa antes de tomar decisões.
