A Alphabet (GOOGLUSDT) tornou-se a primeira empresa a ultrapassar US$ 400 bilhões em receita anual, encerrando 2025 com resultados acima do esperado em todos os segmentos. A receita atingiu US$ 113,8 bilhões no quarto trimestre, alta de 18% ano a ano. O lucro por ação ficou em US$ 2,82, superando as estimativas em mais de 7%. O Google Cloud apresentou crescimento expressivo de 48%. O aplicativo Gemini AI superou 750 milhões de usuários ativos por mês. A empresa anunciou ainda um guidance de capex para 2026 de US$ 175 a 185 bilhões, mais do que o dobro do ano anterior.
As ações pouco oscilaram. GOOGL é negociada em torno de US$ 313, cerca de 10% abaixo da máxima histórica. A reação morna reflete a cautela do mercado: números sólidos, mas o plano de investimentos é robusto, os desafios regulatórios se acumulam e há incerteza sobre o retorno proporcional dos aportes em IA.
Próxima divulgação de resultados: cerca de 23 de abril de 2026.
O Negócio em 60 Segundos
A Alphabet é a controladora do Google, YouTube, Waymo e outros projetos inovadores denominados Other Bets. A receita é segmentada em três pilares.
Google Services (84% da receita): Trata-se do núcleo de publicidade. Apenas o Google Search totalizou US$ 63,1 bilhões no Q4 (+17%). Os anúncios do YouTube contribuíram com US$ 11,4 bilhões. A área de assinaturas e plataformas (YouTube Premium, Google One, Play Store, hardware) gerou US$ 13,6 bilhões (+17%). Pela primeira vez, a receita anual do YouTube superou US$ 60 bilhões.
Google Cloud (16% da receita, crescimento mais rápido): Segmento que mais cresce, o Google Cloud registrou US$ 17,7 bilhões no Q4 (+48%), acelerando em relação ao trimestre anterior. As margens operacionais subiram de 17,5% para 30,1%. O backlog alcançou US$ 240 bilhões, mais que dobrando em um ano. No fim de 2025, o Cloud tinha run rate anual de mais de US$ 70 bilhões.
Other Bets (menos de 1% da receita): Inclui Waymo (autônomos), Verily (ciências da vida) e outros projetos. Houve US$ 370 milhões em receita e prejuízo operacional de US$ 3,6 bilhões no Q4. A maior parte do valor está na Waymo, que levantou US$ 16 bilhões em nova rodada e agora é avaliada em US$ 126 bilhões como unidade independente.
O balanço é sólido: US$ 127 bilhões em caixa e títulos, US$ 47 bilhões em dívida de longo prazo e US$ 24,8 bilhões captados em emissão de bônus em novembro de 2025.
Fatores que Movimentam as Ações
Diversos fatores direcionam o desempenho de GOOGL, com forças opostas em jogo.
Aceleração do Google Cloud. O crescimento de 48% no Q4 não foi um evento isolado. O crescimento vem acelerando ao longo de 2025: 28% no Q1, 32% no Q2, 34% no Q3 e 48% no Q4. O backlog cresceu 55% sequencialmente. A demanda corporativa por infraestrutura de IA e serviços baseados no Gemini impulsiona o segmento.
O desafio do capex de US$ 180 bilhões. A Alphabet planeja investir entre US$ 175 e 185 bilhões em 2026, acima dos US$ 91,4 bilhões de 2025. Cerca de 60% vai para servidores e 40% para data centers e redes. Isso deve elevar custos de depreciação e pressionar o fluxo de caixa livre. Analistas já apontam que os custos de infraestrutura e Waymo pressionam a lucratividade total.
Adoção rápida do Gemini. O Gemini já soma mais de 750 milhões de usuários ativos mensais, ante 400 milhões nove meses antes. O modelo Gemini 3 foi lançado em dezembro de 2025, com engajamento ainda maior. O custo unitário caiu 78% em 2025 devido à otimização. No segmento corporativo, já foram vendidas mais de 8 milhões de licenças Gemini Enterprise. O Gemini está presente nativamente em mais de 800 milhões de dispositivos Android no mundo.
Dupla batalha antitruste. A Alphabet enfrenta dois processos regulatórios simultâneos. No caso de buscas, o juiz Mehta determinou o fim dos contratos exclusivos e o compartilhamento limitado de dados, mas rejeitou pedido de venda da Chrome. O DOJ e 35 estados apresentaram recurso buscando medidas mais severas. No caso de adtech, o juiz Brinkema decidiu que houve monopólio em ad servers e exchanges, podendo levar à venda forçada do AdX. A União Europeia também aplicou multa de US$ 2,95 bilhões e avalia se os remédios propostos são suficientes.
Aquisição da Wiz. O Google anunciou em março de 2025 a compra da Wiz, startup de segurança em nuvem, por US$ 32 bilhões em dinheiro. O DOJ aprovou a transação, prevista para ser concluída em 2026. A Wiz traz recursos multicloud que complementam a infraestrutura do Google Cloud.
Momento de expansão da Waymo. A Waymo realiza mais de 400 mil viagens totalmente autônomas por semana em seis cidades dos EUA, superando 20 milhões de corridas. A recente rodada de US$ 16 bilhões financiará a expansão para mais de 20 novas cidades em 2026, incluindo Tóquio e Londres. Em Nova York, a expansão foi barrada por falta de apoio legislativo.
Tese Otimista vs. Pessimista
| Otimistas | Pessimistas | |
|---|---|---|
| Crescimento | Receita de US$ 403 Bi em 2025 (+15% YoY), Q4 acelerando para 18%. Cloud crescendo 48%. | Crescimento foi de 12% no Q1; aceleração veio tardiamente. Publicidade ainda é 72% da receita e sofre riscos cíclicos. |
| Posição em IA | IA de ponta: TPUs próprios, modelos Gemini, 750M MAU, serviços Cloud AI, Waymo. Nenhum rival tem esse alcance. | O capex de US$ 175-185 bi pode comprometer margens se a IA não entregar retorno esperado. Depreciação vai subir. |
| Cloud | Backlog de US$ 240 Bi, margem de 30,1%, run rate de US$ 70 Bi+. Diminuindo distância para AWS/Azure. | Ainda é o terceiro em market share de nuvem. Receita pode desacelerar com conversão de backlog normalizando. |
| Valuation | P/L em torno de 29x, empresa crescendo 15-20% ao ano, com várias opções estratégicas. Uma das mais baratas entre as “sete magníficas”. | Fluxo de caixa livre deve cair fortemente em 2026 com capex dobrando. Avaliação ajustada pelo FCF não tão atraente. |
| Risco regulatório | Decisão antitruste em buscas foi branda. Chrome e Android mantidos. Mercado reagiu com alta de 8%. | DOJ recorreu para medidas mais duras. Caso adtech pode forçar venda do AdX. UE pressiona ainda mais. |
| Waymo | Avaliação de US$ 126 Bi, mais de 400 mil viagens semanais, expandindo para 20+ cidades. Pode valer US$ 200 Bi+ até 2030. | Queima bilhões por ano. Concorrência de Tesla e Zoox cresce. Barreiras regulatórias (expansão negada em NY). |
Principais Números
Receita 2025: US$ 402,8 bilhões (+15% YoY). Q4: US$ 113,8 bilhões (+18%), mostrando aceleração.
Lucro por ação Q4 2025: US$ 2,82, superando o consenso em 7,2%. No ano, EPS de US$ 10,82.
Google Cloud: US$ 17,7 bilhões no Q4 (+48% YoY), lucro operacional de US$ 5,3 bilhões e margem de 30,1%. Backlog de US$ 240 bilhões. Run rate anual acima de US$ 70 bilhões.
Receita de publicidade: US$ 82,3 bilhões no Q4 (+13,5%). Search cresceu 17% (US$ 63,1 bi). Anúncios YouTube subiram 9% (US$ 11,4 bi), abaixo das expectativas.
Lucro operacional: US$ 35,9 bilhões no Q4 (+16% YoY), margem de 31,6%. Inclui compensação de US$ 2,1 bi relacionada à valorização da Waymo.
Fluxo de caixa livre: US$ 24,6 bilhões no Q4, recorde da companhia. Mas em 2026 deve cair devido ao aumento do capex.
Caixa: US$ 127 bilhões em caixa e títulos. Dívida de US$ 47 bilhões. US$ 24,8 bi captados em bônus em nov/25.
Capex: US$ 91,4 bilhões em 2025, sendo US$ 27,9 bi só no Q4. Guia para 2026: US$ 175-185 bilhões.
Estimativas de analistas para 2026: Receita em torno de US$ 486 bilhões (+21%), EPS de US$ 11,55.
Principais Riscos para Traders
Descompasso entre capex e retorno. O plano de investir US$ 180 bilhões é o maior risco. Caso a demanda por IA desacelere ou concorrentes avancem com custos menores, a Alphabet pode ficar com excesso de infraestrutura e retorno inferior ao esperado. Depreciação subiu 38% em 2025 e deve acelerar.
Complexidade regulatória. A Alphabet lida simultaneamente com apelações antitruste em buscas, possível venda do AdX, multas na UE e processos de publishers. Não há uma decisão que abale a empresa, mas o conjunto das medidas pode levar a mudanças na operação do negócio de anúncios.
Pressão competitiva em IA. OpenAI, Anthropic, Perplexity e Meta têm projetos concorrentes. ChatGPT segue como a marca de IA mais reconhecida. O domínio da busca, apesar de ainda acima de 90%, pode ser desafiado no médio prazo.
Desaceleração dos anúncios no YouTube. Crescimento de 9% no Q4, abaixo das expectativas, sugere saturação e efeito de base do ciclo eleitoral de 2024. Se o ritmo não retomar, pode haver dúvidas sobre o potencial da plataforma.
Consumo de caixa da Waymo. Other Bets teve prejuízo de US$ 3,6 bi no Q4, ante US$ 1,2 bi um ano antes, devido à expansão da Waymo. Apesar da captação, o aporte maior foi da Alphabet. Expandir para 20+ cidades é dispendioso e o caso de NY mostra incerteza no ritmo.
Negocie GOOGL na Phemex
A Alphabet está disponível como contrato futuro TradFi na Phemex, negociável 24h por dia na mesma interface com margem USDT usada em [Futuros de Criptomoedas].
Com divulgação de resultados, decisões regulatórias e alterações no capex no radar, GOOGL tende a registrar volatilidade dentro e fora do pregão. O Phemex TradFi oferece acesso 24/7, incluindo reações pós-mercado e eventos aos fins de semana.
Confira o Futures Events Center para campanhas de taxa zero e recompensas em pares TradFi.
Conclusão
A Alphabet opera em um patamar que poucas empresas já atingiram: US$ 400 bilhões em receita, cloud crescendo para mais de US$ 70 bi ao ano, produto de IA com 750 milhões de usuários e unidade de direção autônoma avaliada em US$ 126 bilhões. O desafio do investidor é avaliar se o capex de US$ 180 bi, a pressão regulatória e a competição em IA deixarão margem suficiente para o desempenho do papel a 29x lucros. O próximo resultado, em 23 de abril de 2026, trará os primeiros sinais do impacto do novo ciclo de investimento.
Este artigo é apenas para fins educativos e não constitui recomendação financeira ou de investimento. Futuros TradFi são produtos derivativos de alto risco. A alavancagem amplia ganhos e perdas. Avalie cuidadosamente seu perfil de risco antes de negociar.



