A Strategy agora detém 815.061 BTC após adquirir 34.164 moedas por aproximadamente US$ 2,54 bilhões na semana de 13 a 19 de abril de 2026, conforme o relatório 8-K mais recente da empresa junto à SEC. Essa única transação colocou a empresa à frente do iShares Bitcoin Trust (IBIT) da BlackRock, que possui cerca de 802.823 BTC, tornando a Strategy o maior detentor de Bitcoin do mundo, exceto pelas carteiras inativas de Satoshi Nakamoto. Nenhuma empresa havia ultrapassado a marca de 800.000 BTC antes, e a Strategy fez isso com uma única compra semanal.
As ações da MSTR subiram 9,4% após o anúncio e avançaram mais 25% quando o BTC superou US$ 78.000 naquela mesma semana. A tese de Michael Saylor permanece inalterada desde que a empresa iniciou suas compras em agosto de 2020, mas a escala das operações surpreendeu até mesmo os entusiastas mais otimistas do Bitcoin.
Como a Strategy financiou uma compra de US$ 2,54 bilhões em uma semana
A forma de financiamento revela tanto sobre a estratégia da empresa quanto a própria aquisição. Dos US$ 2,54 bilhões gastos, US$ 2,18 bilhões vieram da venda de ações perpétuas preferenciais STRF e US$ 366 milhões de vendas de ações ordinárias MSTR no mercado. Essa proporção é importante porque as ações STRF não diluem os acionistas existentes da mesma forma que as ações ordinárias. Elas pagam um rendimento fixo e estão abaixo das ações ordinárias na estrutura de capital, funcionando mais como um título com embalagem de ações do que uma oferta de ações tradicional.
A Strategy tem migrado para instrumentos preferenciais e conversíveis ao longo de 2026, por um motivo simples. Emitir ações ordinárias para comprar BTC dilui os acionistas no curto prazo, mesmo que a valorização do BTC possa compensar essa diluição ao longo do tempo. Ações preferenciais e notas conversíveis permitem levantar bilhões sem reduzir diretamente os indicadores por ação da MSTR. O mercado tem recompensado essa abordagem. O prêmio da MSTR sobre o valor patrimonial líquido aumentou desde que a empresa passou a priorizar instrumentos preferenciais em vez de emitir apenas ações ordinárias.
Os US$ 2,54 bilhões também representam um dos maiores aportes de capital em uma única semana na história da gestão de tesouraria corporativa, seja em cripto ou não. Para referência, quando a MicroStrategy fez sua compra original de US$ 250 milhões em Bitcoin em agosto de 2020, a medida foi considerada radical por qualquer métrica tradicional de finanças. Agora, a Strategy investe dez vezes mais em uma semana lenta, e os mercados continuam financiando essas operações.
Por que a Strategy superou a BlackRock e qual a diferença nos números
A comparação entre Strategy e IBIT da BlackRock não é exata, mas os números mostram bem as diferentes filosofias de acumulação.
| Métrica | Strategy (MSTR) | BlackRock IBIT |
|---|---|---|
| Total de BTC detidos | 815.061 | ~802.823 |
| Custo médio por BTC | ~US$ 67.485 | ~US$ 36.800 (estimado) |
| Método de acumulação | Tesouraria corporativa | Ingressos de clientes do ETF |
| Tomador de decisão | Michael Saylor (CEO) | Mercado (investidores compram/vendem cotas) |
| Estrutura de custódia | Balanço corporativo | Fundo ETF (custódia Coinbase) |
| Mecanismo de venda | Decisão do conselho | Investidores podem resgatar diariamente |
A BlackRock não escolhe comprar ou vender Bitcoin diretamente. Os ativos do IBIT refletem a soma das decisões de compra e venda de milhares de investidores e participantes autorizados. Quando pessoas físicas e instituições compram cotas do IBIT, a BlackRock cria novas cotas e adquire BTC para lastreá-las. Quando investidores vendem, o BTC sai do fundo. Segundo dados de ETF da Bloomberg, os 802.823 BTC do IBIT poderiam teoricamente chegar a zero se todos os cotistas resgatassem, embora o volume diário indique que isso é altamente improvável.
Já os 815.061 BTC da Strategy estão no balanço da empresa, sob controle da gestão que se comprometeu publicamente a não vender. Essa diferença filosófica é o que torna o feito relevante além do número absoluto. Os BTCs da Strategy são ilíquidos por decisão, enquanto os do IBIT são líquidos por estrutura e podem ser resgatados a qualquer momento. O mercado trata esses dois estoques de Bitcoin de forma bastante diferente ao analisar a oferta disponível.
Os 80.000 BTC acumulados durante uma queda de 50%
A atenção normalmente recai sobre o total acumulado, mas o ritmo durante 2026 mostra o grau de convicção da Strategy. O BTC caiu de cerca de US$ 126.000 em setembro de 2025 para menos de US$ 65.000 no final de janeiro de 2026, uma queda que eliminou cerca de US$ 7 bilhões em valor não realizado das reservas da empresa.
A Strategy continuou comprando durante toda essa queda. A empresa acumulou cerca de 80.000 BTC nos primeiros quatro meses de 2026, investindo entre US$ 62.000 e US$ 78.000 enquanto o mercado debatia se haveria novo "inverno cripto". O comentário de Saylor de que "o inverno do Bitcoin acabou" veio após a recuperação acima dos US$ 78.000, mas as compras já vinham ocorrendo antes dessa retomada.
Essa estratégia pode ser vista como ousada ou arriscada, dependendo do horizonte de tempo. Com custo médio em torno de US$ 67.485 por BTC, a Strategy está no negativo em moedas compradas acima do preço atual e com lucro naquelas adquiridas durante o fundo de janeiro-fevereiro. O custo médio ponderado é essencial para o balanço, e com o BTC a US$ 78.000, toda a posição de 815.061 BTC apresenta cerca de US$ 8,6 bilhões em ganhos não realizados. Este valor oscila centenas de milhões para cada variação de US$ 1.000 no preço.
Caminho da Strategy para atingir 1 milhão de BTC
Saylor já declarou publicamente o objetivo de chegar a 1 milhão de BTC, e, na taxa atual, isso é matematicamente possível. A Strategy precisaria adquirir mais 184.939 BTC para atingir a marca. Mantendo o ritmo de 2026 (cerca de 80.000 BTC em quatro meses, ou 20.000 por mês), a empresa ultrapassaria 1 milhão de BTC por volta de novembro de 2026.
A limitação não é a ambição, mas sim o acesso contínuo aos mercados de capitais. A Strategy levantou mais de US$ 10 bilhões por meio de diversos instrumentos nos últimos doze meses, mas cada nova emissão depende do apetite do mercado pelas ações MSTR, preferenciais e notas conversíveis. Se as ações MSTR caírem, o programa no mercado gera menos capital por ação. Se cair a demanda pelas preferenciais, o fluxo do STRF desacelera. E se o preço do BTC subir muito, cada nova compra resulta em menos moedas.
O ritmo provavelmente não será linear. Alguns meses podem registrar aquisições superiores a 30.000 BTC com emissões robustas de notas conversíveis; outros, cerca de 5.000 BTC via vendas rotineiras. Mas a direção é clara e a gestão não indica pausa. Cada resultado trimestral, conferência e relatório 8-K reforça a mensagem: a Strategy continuará comprando Bitcoin enquanto houver instrumentos de captação ou Saylor permanecer no comando, o que não parece prestes a mudar.
Riscos de concentrar 815.061 BTC em um único balanço
O risco de concentração é evidente. Toda a proposta de valor corporativa da Strategy depende da valorização de um ativo. Caso o BTC enfrente um mercado baixista prolongado abaixo de US$ 50.000, os US$ 54,9 bilhões em custos de aquisição se transformariam em perda não realizada, mas as dívidas e preferenciais continuariam exigindo serviço financeiro. As ações STRF pagam distribuição fixa independente do preço do BTC, e as notas conversíveis possuem vencimentos que exigem futura quitação ou rolagem.
O risco regulatório diminuiu desde que SEC e CFTC classificaram o Bitcoin como commodity digital em março de 2026, mas o tratamento contábil segue relevante. A Strategy adotou o padrão FASB de valor justo em 2024, o que leva ganhos e perdas diretamente ao resultado. Uma queda de US$ 10.000 no preço do BTC gera cerca de US$ 8,15 bilhões de perda contábil em um trimestre. Essa volatilidade dificulta a análise fundamentalista tradicional e mantém parte dos investidores institucionais afastada.
Há ainda o risco relacionado à liderança. Michael Saylor é o arquiteto, evangelista e responsável por cada compra de BTC. O conselho aprovou a estratégia, mas a convicção pessoal de Saylor move o ritmo e a escala das aquisições. Caso ele saia, seja destituído ou mude de opinião, o mercado poderia questionar o compromisso de "nunca vender", reduzindo rapidamente o prêmio da MSTR sobre o valor patrimonial.
O que a ação MSTR representa atualmente
A MSTR se comporta mais como um veículo alavancado de Bitcoin do que uma empresa de software. O segmento original de inteligência de negócios gera cerca de US$ 500 milhões em receita anual, importante, mas pequeno frente ao valor do tesouro em BTC.
Com o BTC a US$ 78.000, os 815.061 BTC valem aproximadamente US$ 63,6 bilhões. O valor de mercado da MSTR negocia acima desse valor patrimonial, o que significa que investidores pagam mais de US$ 1 por cada US$ 1 em Bitcoin no balanço. Esse prêmio reflete a expectativa de valorização contínua do BTC e a capacidade comprovada da Strategy em captar recursos em condições favoráveis. Por outro lado, os acionistas da MSTR assumem riscos de alavancagem, diluição e execução que um detentor de BTC à vista não enfrenta.
A razão pela qual a MSTR ainda atrai capital, apesar dos riscos, está no acesso. Conforme o BitcoinTreasuries.net, a Strategy detém cerca de 30 vezes mais BTC que a segunda maior empresa. Muitos fundos institucionais, fundos de pensão e previdência não podem deter BTC diretamente ou via ETFs spot, mas podem comprar ações da MSTR. Com isso, a Strategy tornou-se o maior veículo de acesso a Bitcoin via empresa listada, com 815.061 BTC em seu tesouro.
Perguntas Frequentes
Quantos Bitcoin a Strategy detém em abril de 2026?
A Strategy possui 815.061 BTC na semana encerrada em 19 de abril de 2026, comprados ao custo médio ponderado de cerca de US$ 67.485 por moeda. O tesouro total é valorizado em aproximadamente US$ 63,6 bilhões com o BTC a US$ 78.000.
A Strategy ultrapassou a BlackRock como maior detentora de Bitcoin?
Sim. Os 815.061 BTC da Strategy superaram o iShares Bitcoin Trust (IBIT) da BlackRock, que possui cerca de 802.823 BTC. A principal diferença é que a Strategy mantém BTC em seu balanço corporativo sem intenção de vender, enquanto os ativos da IBIT variam conforme fluxos de investidores no ETF.
Como a Strategy financia suas compras de Bitcoin?
A empresa utiliza uma combinação de ações preferenciais perpétuas (STRF), notas conversíveis e vendas de ações ordinárias no mercado. A compra de US$ 2,54 bilhões em abril foi financiada principalmente por US$ 2,18 bilhões em preferenciais STRF e US$ 366 milhões em vendas de ações MSTR. A Strategy tem priorizado instrumentos preferenciais para minimizar a diluição dos acionistas ordinários.
A Strategy pode realmente chegar a 1 milhão de BTC?
Mantendo o ritmo do início de 2026 (cerca de 20.000 BTC por mês), a Strategy alcançaria 1 milhão de BTC por volta de novembro de 2026. O principal fator limitante é o acesso contínuo aos mercados de capitais. Se as ações MSTR se mantiverem valorizadas e a demanda por preferenciais seguir forte, a meta é matematicamente viável.
Resumo Final
A ultrapassagem da BlackRock pela Strategy vai além de um feito simbólico. Ela demonstra que uma empresa com alta convicção e mecanismos criativos de financiamento pode acumular mais Bitcoin que o maior gestor de ativos do mundo, que administra US$ 11 trilhões e atende milhões de investidores. Os 815.061 BTC no balanço da Strategy estão ali porque uma equipe de gestão decidiu assim, e essa concentração de oferta em mãos que se comprometeram publicamente a não vender muda a dinâmica de liquidez do mercado.
O ponto central não é se a Strategy chegará a 1 milhão de BTC, mas sim o efeito sobre o preço do Bitcoin quando uma única empresa detém 3,9% de toda a oferta e acumula 20.000 moedas por mês. Cada compra reduz permanentemente a oferta disponível. Se a demanda institucional via ETFs, fundos soberanos e tesourarias corporativas continuar junto à estratégia da empresa, a dinâmica de oferta pode se tornar ainda mais restritiva.
Este artigo tem caráter apenas informativo e não constitui recomendação financeira ou de investimento. Operar criptomoedas envolve riscos. Sempre faça sua própria análise antes de tomar decisões de negociação.





