
Os ETFs de Bitcoin à vista registraram saídas de aproximadamente US$ 2,26 bilhões nos últimos 14 pregões, levando o total de ativos sob gestão dos ETFs de BTC novamente para menos de US$ 100 bilhões pela primeira vez desde o início da primavera. No mesmo período, ETPs Hyperliquid captaram US$ 72,38 milhões, fundos XRP adicionaram cerca de US$ 22 milhões e ETFs de Solana absorveram outros US$ 15,6 milhões. O preço do BTC caiu abaixo de US$ 75.000 no fim de semana para uma mínima de cerca de US$ 74.344, ocasionando aproximadamente US$ 917 milhões em liquidações em 24 horas antes de estabilizar por volta de US$ 75.500. Embora a manchete indique saídas em Bitcoin, os dados de fluxo de fundos em outros ativos digitais mostram uma movimentação diferente do capital institucional.
O que se observa é uma realocação do capital institucional dentro da classe de ativos, e não um abandono. Veja o padrão de resgate mais de perto, para onde o capital está migrando e os cenários que podem levar os fluxos de BTC de volta ao positivo.
Como são os 14 dias de resgates dos ETFs de BTC
O valor de saída de US$ 2,26 bilhões, segundo o CoinShares Weekly Digital Asset Fund Flows e confirmado pelo rastreador ETF spot BTC do SoSoValue, não ocorreu em um único dia de pânico. Ele se acumulou em nove dos últimos dez pregões, com o maior resgate diário próximo de US$ 480 milhões, ocorrido no dia em que o BTC perdeu o patamar de US$ 78.000.
Fonte: Sosovalue
A movimentação reduziu o AUM total dos ETFs de BTC spot dos EUA de pouco acima de US$ 102 bilhões para menos de US$ 100 bilhões. Essa marca é relevante porque, em janeiro de 2026, era o limiar que sinalizava o início da fase de maior exposição institucional. Cruzar novamente para baixo indica que o investidor marginal virou vendedor líquido, ao menos neste produto.
IBIT e FBTC absorveram a maior parte dos resgates em termos absolutos, o que é normal, já que detêm o maior volume de AUM. Em termos percentuais, emissores intermediários como ARKB e BITB registraram saídas proporcionais mais altas, sugerindo que os resgates se concentram em posições institucionais menores ou mais recentes, e não nos detentores centrais de longo prazo. Esse detalhe importa porque os detentores centrais raramente realizam resgates durante correções rotineiras. Quando o fazem, o padrão estatístico é diferente e perdura por mais tempo.
Outro ponto é que as saídas dos ETFs não foram acompanhadas por uma queda equivalente no basis dos futuros da CME. O basis anualizado nos contratos de três meses da CME caiu de cerca de 11% para 7%, mas não ficou negativo. Isso diferencia este episódio dos de dezembro de 2024 e agosto de 2025, quando o basis ficou negativo, confirmando uma redução de risco institucional mais ampla. A compressão sem inversão está relacionada a uma rotação, não capitulação.
Para onde foi o capital rotacionado
A resposta está na coluna de entradas.
ETPs Hyperliquid, que começaram a ser negociados em plataformas europeias esse ano, registraram US$ 72,38 milhões em entradas líquidas no mesmo intervalo de 14 dias, segundo a CoinShares. É o maior valor semanal para qualquer wrapper que não seja BTC ou ETH desde o lançamento dos produtos Solana. O próprio HYPE manteve-se acima de sua média móvel de 20 dias enquanto o BTC recuava — sinal de força relativa monitorado por mesas institucionais.
Fundos XRP adicionaram aproximadamente US$ 22 milhões nas listagens dos EUA e Europa, com a maior parte em produtos europeus de taxa mais baixa. Os fluxos são menores em termos absolutos, mas relevantes considerando o AUM total reduzido. O wrapper de ETF de XRP acumula agora sete semanas positivas em oito.
ETFs de Solana receberam mais US$ 15,6 milhões. Ethereum permaneceu praticamente estável no período, sem saídas ou entradas relevantes, o que também é um indicador: movimentos de aversão a risco normalmente drenam ETH junto com BTC. O fato de ETH se manter enquanto BTC sofre resgates reforça a leitura de realocação interna no universo cripto.
| Ativo | Fluxo líquido 14 dias (USD) | Direção | Observações |
|---|---|---|---|
| ETFs BTC | -2,260M | Saídas elevadas | AUM volta para menos de US$100B |
| ETFs ETH | ~+5M | Praticamente neutro | Sem sinais de aversão a risco |
| ETFs SOL | +15,6M | Entradas sustentadas | Oitava semana positiva em nove |
| Fundos XRP | +22M | Entradas constantes | Sete de oito semanas positivas |
| ETPs HYPE | +72,38M | Mais forte entre não-majors | Recorde semanal para o produto |
A principal conclusão da tabela é a assimetria. Se fosse uma saída geral de cripto, todas as colunas estariam em vermelho. Quatro de cinco não estão.
Por que isso é uma rotação, não uma saída
Três fatores ajudam a distinguir uma rotação de uma saída: oferta de stablecoins, sinais de fluxo entre produtos da mesma classe e correlação entre ativos.
A oferta de stablecoins permaneceu estável. O valor de mercado agregado de USDT e USDC está apenas 0,5% abaixo do início do mês, com emissões e resgates praticamente equivalentes. Se o capital institucional estivesse realmente saindo das criptos, os resgates apareceriam rapidamente na oferta de stablecoins — o que não ocorreu, indicando que esses recursos seguem disponíveis para reinvestimento, não migrando para fora do mercado.
Os sinais de fluxo entre produtos da mesma classe são positivos para quatro de cinco dos principais produtos monitorados. Por definição, rotação ocorre quando pelo menos um produto registra saldo líquido positivo enquanto outro tem saldo negativo dentro da mesma classe de ativos. Os dados reforçam esse padrão.
A correlação entre BTC e Nasdaq enfraqueceu no período dos resgates. A correlação móvel de 30 dias entre BTC e QQQ caiu de cerca de 0,71 para 0,48. Em episódios genuínos de aversão a risco, a correlação aumenta, pois tudo é vendido ao mesmo tempo. Essa diminuição indica que as vendas de BTC têm causas internas ao setor cripto, não decorrentes de uma realocação de risco mais ampla nos mercados acionários.
Esse último ponto é importante para entender a nota de ontem da CoinDesk sobre a estagnação dos derivativos. O ambiente macroeconômico influencia, com inflação pressionada e impasses geopolíticos, mas se fosse apenas aversão a risco, o ETH também estaria sendo vendido e stablecoins seriam resgatadas. Isso não está ocorrendo. O macro funciona como gatilho para rotação, não como causa de saída do mercado.
O que dizem a quebra dos US$ 75 mil e as liquidações de US$ 917 milhões
O BTC chegou a US$ 74.344 no fim de semana, recuperando-se para cerca de US$ 75.500 na abertura de segunda-feira. O volume de liquidações em 24h durante o movimento mais intenso ficou em US$ 917 milhões, segundo dados agregados da Coinglass, com a maior parte das perdas para posições compradas (longs).
Fonte: Coinglass
O movimento de liquidação reduziu o open interest dos contratos perpétuos em cerca de 11% nos principais mercados. As taxas de financiamento, que estavam levemente positivas na semana anterior, ficaram negativas no domingo e permaneceram assim durante a recuperação. Financiamento negativo após liquidação geralmente indica cenário construtivo, pois significa que os vendidos pagam para manter a posição, limitando a pressão de baixa por haver menos posições compradas alavancadas pendentes.
O valor de US$ 917 milhões também está dentro da faixa de outros eventos de liquidação recentes, não sendo extremo. Em janeiro de 2026, o FOMC gerou US$ 1,4 bilhão em liquidações em 24h; em agosto de 2025, manchetes sobre o Irã levaram a US$ 2,1 bilhões. O valor deste fim de semana é compatível com uma capitulação local, não com uma quebra estrutural.
O ponto a acompanhar daqui pra frente é a diferença entre o preço à vista e a média móvel de 200 dias. Atualmente, a média de 200 dias está por volta de US$ 71.800. O BTC não fecha abaixo dessa média desde o fim de 2024. Uma queda e fechamento semanal abaixo desse patamar pode sinalizar uma inversão de tendência. Até lá, o cenário técnico sugere uma correção dentro de um intervalo maior.
Você pode saber mais sobre como liquidações são resolvidas no guia de liquidações da Phemex.
O que pode reverter os fluxos para BTC
A rotação não é indefinida. A questão a ser respondida é: o que pode fazer os resgates de BTC cessarem e os recursos institucionais retornarem para o principal produto.
Três fatores são determinantes, e não precisam ocorrer simultaneamente:
Melhora no cenário macro. Um acordo entre EUA e Irã ou um índice de inflação mais brando pode retirar o gatilho para rotação. Historicamente, fluxos de ETF respondem rapidamente a clareza macroeconômica. Se um desses eventos ocorrer, há tendência de reversão nos fluxos de ETF de BTC.
BTC recupera a faixa de US$ 78.000 a US$ 80.000. Essa região foi importante para acumulação institucional no início do ano. Uma retomada consistente com volume pode indicar o fim da janela de resgates.
HYPE, SOL ou XRP passam a ter desempenho relativo inferior. A rotação termina quando o destino perde força. Se os maiores polos de entrada pararem de superar o BTC semana após semana, o fluxo tende a retornar ao produto principal. É um processo mecânico: alocadores migram para força e retornam quando ela desaparece.
Esses não são previsões, mas sinais concretos de mudança de regime de fluxo. Até que ao menos um deles aconteça, a rotação tende a prevalecer.
Você pode saber mais sobre as características do wrapper de XRP no guia de ETF de XRP da Phemex e sobre a mecânica do ETF de Bitcoin spot no explicativo de ETF de Bitcoin da Phemex.
Perguntas frequentes
US$ 2,26 bilhões em saídas de ETF de BTC é um número expressivo historicamente?
É um resgate relevante, mas não recorde. O pior período de 14 dias ocorreu no fim de fevereiro de 2025, com cerca de US$ 3,4 bilhões. Este resultado é similar ao de dezembro de 2024, que foi seguido de recuperação após melhora do cenário macro.
Por que as entradas em HYPE recebem tanta atenção, mesmo com valor menor?
O volume absoluto importa menos que o percentual do AUM total. Os US$ 72,38 milhões representam o maior valor semanal já registrado para um ETP cripto fora BTC e ETH. Esse tipo de movimento é monitorado como sinal de interesse institucional em novas exposições.
Essa rotação pode voltar rapidamente para BTC?
Sim, e o histórico mostra que fluxos de ETF costumam reverter em uma a duas semanas após a resolução do gatilho. Um acordo EUA-Irã ou inflação mais baixa seriam os principais catalisadores. O fluxo costuma reagir com poucos dias de atraso ao preço à vista; se o BTC recuperar US$ 78.000 a US$ 80.000 com volume, isso tende a aparecer no relatório da semana seguinte.
Financiamento negativo após liquidação sempre indica fundo?
Não sempre, mas é um dos cenários mais prováveis após liquidações. O que pode mudar isso é a chegada de novas notícias macro negativas. Na ausência de catalisadores, o financiamento negativo com open interest reduzido costuma resultar em alta nos cinco a dez dias seguintes.
Resumo Final
Os dados de fluxo apontam para rotação, não saída. ETFs de BTC tiveram saídas de US$ 2,26 bilhões enquanto HYPE, XRP e SOL apresentaram entradas líquidas positivas, a oferta de stablecoins permaneceu estável e a correlação BTC-Nasdaq diminuiu. Esse conjunto não é observado em episódios genuínos de aversão ao risco.
Os níveis para monitorar são US$ 74.344 como mínima do fim de semana, US$ 71.800 como média móvel de 200 dias e a faixa de US$ 78.000 a US$ 80.000 como zona de reconquista. O regime de fluxo muda quando um dos três fatores ocorre: melhora macro, recuperação do BTC ou perda de força dos polos de entrada.
Até lá, a tendência é de continuidade do padrão: realocação de capital dentro da classe de ativos, com o principal produto absorvendo o custo temporário.
Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Negociações com criptomoedas envolvem riscos. Sempre faça sua própria análise antes de tomar decisões.






