
O Zcash atingiu um novo pico em 2026, acima de US$ 585 em 6 de maio, após o sócio da Multicoin Capital, Tushar Jain, divulgar a posição do fundo em uma longa thread no X, apresentando o ZEC como uma proteção contra impostos sobre patrimônio e escrutínio governamental. O token valorizou cerca de 30% em 24 horas e aproximadamente 110% nos últimos 30 dias. O Monero fez um movimento parecido, rompendo seu recorde histórico de 2021 antes de se estabilizar acima de US$ 300.
Ambos estão em destaque porque o tema da privacidade voltou à tona. A diferença está em qual perfil de investidor cada um atende, e a resposta não é a mesma para ZEC e XMR. Um deles está se tornando mais acessível ao setor institucional, enquanto o outro representa a abordagem cypherpunk pura que sofre remoções frequentes em exchanges. Ambos podem ter bons desempenhos em 2026, embora por razões distintas.
Por que as moedas de privacidade estão em alta em 2026
O setor de moedas de privacidade passou a maior parte de 2022 a 2024 como alvo de restrições regulatórias. A Binance removeu o Monero em fevereiro de 2024, a Kraken fez o mesmo na Europa e Reino Unido em seguida, e OKX, Bittrex e Huobi seguiram medidas em diversas jurisdições. O ZEC permaneceu listado em mais lugares devido ao seu design opcional de privacidade, mas o volume caiu à medida que instituições evitaram o ativo. O consenso era de que as moedas de privacidade estavam fadadas ao esquecimento devido à possível remoção em massa.
Agora esse cenário mudou. O ZEC é um dos destaques do ciclo de 2026, subindo 30% em apenas um dia em 6 de maio, de acordo com dados da CoinDesk. O XMR também estabeleceu novo recorde histórico acima do pico de 2021 nesta semana, e até o DASH acompanhou o movimento. Os fatores incluem discussões sobre controle de capitais e impostos sobre patrimônio em países da OCDE, saída de tokens de IA superaquecidos e especialmente a divulgação institucional da Multicoin, que impulsionou o setor.
Tushar Jain, sócio da Multicoin Capital, se pronunciou publicamente em 6 de maio sobre a compra de ZEC, explicando que a privacidade é "cypherpunk" e que o mesmo raciocínio que valorizou o Bitcoin como proteção frente à desvalorização monetária se aplica às moedas de privacidade frente ao monitoramento de patrimônio. A Fortune noticiou a divulgação no mesmo dia, e o impacto de preço foi imediato. Quando um grande fundo cripto apoia publicamente um setor antes rejeitado por institucionais, o movimento pode ser rápido.
Como o Zcash funciona (e por que a privacidade opcional importa)
O Zcash foi lançado em outubro de 2016 por Zooko Wilcox da Electric Coin Company, com apoio da independente Zcash Foundation. Sua inovação técnica é o uso dos zk-SNARKs, uma prova de conhecimento zero que permite validar transações sem revelar remetente, destinatário ou valor — garantindo a privacidade.
A decisão central é que a privacidade no Zcash é opcional. Usuários podem usar endereços transparentes (t-addresses), semelhantes às transações públicas do Bitcoin, ou endereços protegidos (z-addresses), que ocultam dados de transação. Em maio de 2026, cerca de 30% do suprimento de ZEC está em endereços protegidos — patamar recorde e reflexo da maior procura pela função de privacidade real.
Essa flexibilidade facilita a listagem do Zcash em exchanges, custodiantes e emissores de ETF. Uma exchange regulada nos EUA pode listar ZEC, aplicar KYC na camada transparente e permitir que o usuário opte pela privacidade. Coinbase, Robinhood e Phemex mantêm o ativo. A Grayscale lançou um trust de Zcash anos atrás, e especulações sobre ETF cresceram com a valorização. Explicação sobre o Zcash no academy da Phemex aprofunda a diferença entre camadas protegidas e transparentes para quem busca detalhes técnicos.
Como funciona o Monero (e por que a privacidade obrigatória é diferente)
O Monero foi lançado em abril de 2014 como fork do Bytecoin, tendo como desenvolvedor inicial um pseudônimo ("thankful_for_today"), evoluindo rapidamente para um projeto conduzido pela comunidade. Não há fundação, empresa ou pré-mineração; o desenvolvedor principal já mudou várias vezes. Essa governança descentralizada agrega credibilidade cypherpunk ao XMR, mas também significa que não existe entidade para negociar com reguladores ou pressionar por relistagem em exchanges.
No Monero, a privacidade é obrigatória e padrão. Toda transação utiliza três camadas criptográficas: assinaturas em anel misturam a entrada do remetente com várias outras, tornando impossível identificar a fonte dos fundos; endereços ocultos (stealth addresses) criam um destino único para cada transação, protegendo o endereço real do destinatário; e o RingCT oculta o valor transferido. Não há camada transparente: toda transação de XMR é privada por padrão, sem possibilidade de opt-out.
Isso garante a máxima fungibilidade. No ZEC, moedas com histórico transparente podem ser sinalizadas por exchanges. No XMR, todas as moedas são iguais, sem histórico público — a definição prática de fungibilidade. Este mesmo fator dificulta o suporte por exchanges que exigem KYC, por isso o Monero sofreu mais remoções do que o Zcash.
Tabela comparativa
Veja como os dois ativos se comparam nos critérios relevantes para quem avalia exposição à privacidade:
| Dimensão | Zcash (ZEC) | Monero (XMR) |
|---|---|---|
| Modelo de privacidade | Opcional (zk-SNARKs) | Obrigatório (assinaturas em anel, endereços ocultos, RingCT) |
| Fundadores/org | Electric Coin Company + Zcash Foundation, Zooko Wilcox | Liderança comunitária, dev original pseudônimo |
| Listagem em exchanges | Ampla (Coinbase, Robinhood, Phemex, Kraken etc.) | Limitada (Binance removeu em 2024, outros seguiram) |
| Fungibilidade | Variável (depende do histórico) | Forte (todas as moedas iguais) |
| Apoio institucional | Posição da Multicoin, trust da Grayscale, especulação ETF | Mínima presença institucional |
| Performance 2026 | US$ 543 a US$ 585+, cerca de 110% em 30 dias | Acima de US$ 300, superou pico de 2021 |
| Exposição regulatória | Menor (compatível com KYC) | Maior (sem caminho de compliance) |
| Credibilidade cypherpunk | Moderada (proximidade corporativa) | Máxima (sem empresa/fundação/pré-mineração) |
A tabela mostra que ZEC e XMR não disputam o mesmo perfil de capital, mas sim teses diferentes sobre privacidade e público-alvo.
Qual moeda de privacidade para qual perfil de trader?
Para quem busca exposição à privacidade com menor risco regulatório e listagem ampla, o ZEC tende a ser preferido. Está presente desde Coinbase até Robinhood, com fluxo institucional e instrumentos via trust ou ETF. O crescimento da pool protegida, aliado ao design opcional, permite que soluções de custódia, ETFs e compliance sejam construídos sobre o ativo sem forçar as exchanges a escolher entre regulação e moeda. O posicionamento público da Multicoin sugere intenção de longo prazo, além de volatilidade de curto prazo.
Quem prioriza máxima pureza cypherpunk e aceita menor facilidade para negociação, encontra no XMR a escolha. A fungibilidade é total, a privacidade obrigatória é genuinamente resistente à censura, e a comunidade mantém a trajetória desde 2017. O gráfico do Monero mostra que a demanda persistiu — apenas ficou latente durante o período de aversão institucional e retornou com a volta do tema da privacidade. A Phemex abordou o rali de maio do Monero quando o XMR superou o topo de 2021.
A estratégia de alocação mais sensata pode ser expor-se a ambos, já que são ativos pouco correlacionados ao restante do mercado cripto e surfam a mesma narrativa macro, mas por motivações distintas. ZEC concentra a rotação institucional, enquanto XMR representa a defesa da privacidade pura — e a combinação de ambos é o verdadeiro cenário de alocação em moedas de privacidade em 2026.
O que pode impactar negativamente este cenário?
Os riscos para moedas de privacidade estão ligados à regulação. O primeiro é um possível movimento coordenado do G7 ou FATF para banir formalmente esses ativos em exchanges reguladas, provocando nova onda de remoções. Esse risco diminuiu, mas não desapareceu. Um caso criminal de destaque envolvendo Zcash ou Monero poderia reacender a pressão política.
O segundo risco é técnico. O Zcash depende de um setup confiável realizado em 2016, alvo de preocupações de segurança de longo prazo. Vulnerabilidades nesse processo poderiam, teoricamente, permitir falsificação não detectada de ZEC protegidos. As atualizações Sapling e Halo reduziram bastante esse risco, mas a preocupação ainda existe em círculos de criptografia. O Monero não tem vulnerabilidade de setup confiável, mas seu modelo exige transações maiores e criptografia mais complexa, então uma falha em assinaturas em anel ou RingCT teria impacto severo.
O terceiro risco é a concentração. Tanto ZEC quanto XMR têm pequena liquidez circulante em relação ao volume diário durante rallies, o que pode causar movimentos bruscos de alta e quedas rápidas se a narrativa esfriar. Traders que compraram ZEC a US$ 585 após o anúncio da Multicoin enfrentam maior risco de retração do que aqueles que acumularam posição a US$ 200 ao longo do tempo. Não se trata de um cenário de "comprar a qualquer momento" — é uma operação de rotação e momentum, sujeita a volatilidade se os fatores macro ou fluxo institucional mudarem.
Perguntas frequentes
Zcash é um investimento melhor que Monero em 2026?
Depende do objetivo. O ZEC tem mais fluxo institucional, mais acessibilidade em exchanges e maior potencial para ETF. O XMR tem fungibilidade superior, reconhecimento cypherpunk e não exige compliance. Para quem busca privacidade com menor exposição regulatória, ZEC é mais limpo. Para quem deseja privacidade absoluta e resistente à censura, XMR é indicado.
Por que o Monero foi removido da Binance e outras exchanges?
A privacidade obrigatória do XMR é incompatível com exigências regulatórias de monitoramento de transações (regra de viagem da FATF, entre outras). Exchanges não conseguem comprovar conformidade AML, pois os dados das transações são ocultos por padrão. O Zcash evita esse problema oferecendo uma camada transparente.
ZEC ou XMR podem ser banidos em grandes jurisdições?
Proibições totais são raras, mas restrições em exchanges são comuns. O MiCA da União Europeia já restringe moedas de privacidade em ambientes regulados. Japão, Coreia do Sul e Austrália adotam regras similares. A custódia própria e negociação P2P seguem permitidas em muitos lugares, mas a oferta em exchanges reguladas segue em declínio, fora os EUA.
Qual percentual da carteira deve ser destinado a moedas de privacidade?
Para a maioria dos traders, moedas de privacidade devem compor de 2% a 5% do portfólio, não o núcleo da carteira. São ativos de alta volatilidade, guiados por narrativa e com riscos regulatórios superiores a BTC e ETH. Alocações acima de 5% só se justificam para quem tem convicção na tese de privacidade e tolera quedas acentuadas caso a narrativa perca força.
Conclusão
A narrativa das moedas de privacidade em 2026 é concreta, e não se resume a um único ativo. Zcash acima de US$ 585 é o play institucional, com apoio público da Multicoin e potencial de ETF baseado em privacidade opcional. Monero acima de US$ 300, após romper o topo de 2021, representa a aposta cypherpunk, que só ficou adormecida enquanto o risco regulatório predominava. Os dois ativos representam teses distintas e a diversificação entre ambos pode ser a melhor estratégia de portfólio.
Os próximos catalisadores são claros. Para o ZEC, os seguintes passos serão: mais divulgações institucionais, crescimento da pool protegida acima de 30% da oferta e avanço das especulações de ETF para pedidos formais. Para o XMR, a demanda já se elevou esta semana. A grande questão é se alguma exchange irá reverter uma decisão de remoção — o que poderia impulsionar ainda mais a valorização. Se nenhum catalisador se concretizar em até seis semanas, ambos os ativos podem devolver parte dos ganhos enquanto uma nova narrativa de privacidade não surge. Se ao menos um deles avançar, o novo ciclo de valorização tende a ser ainda mais forte.
Este artigo tem caráter informativo e não constitui aconselhamento financeiro ou de investimento. Negociações com criptomoedas envolvem riscos. Sempre faça sua própria pesquisa antes de tomar decisões.
