Quando a SEC e a CFTC publicaram sua classificação de cinco categorias para criptoativos em 17 de março de 2026, a maior parte da atenção foi para nomes conhecidos: Bitcoin, Ethereum, Solana, XRP. Contudo, um dos 16 tokens presentes na lista de commodities digitais surpreendeu muita gente. Hedera (HBAR), uma rede pouco utilizada por investidores de varejo, foi oficialmente reconhecida como commodity segundo a legislação dos EUA, ao lado dos maiores ativos do setor.
A inclusão torna-se menos surpreendente ao se entender o que é a Hedera. Trata-se da única grande rede pública gerida por um conselho rotativo composto por empresas Fortune 500, processando milhões de transações diárias a custos praticamente nulos, e operando um mecanismo de consenso que não utiliza blockchain convencional. Veja os principais pontos:
Como funciona a Hedera: Hashgraph, não Blockchain
A Hedera foi fundada por Dr. Leemon Baird e Mance Harmon e lançou sua mainnet em setembro de 2019. Seu token nativo é o HBAR, utilizado para todas as transações e para a segurança da rede via consenso de proof-of-stake.
O diferencial técnico é que a Hedera não utiliza blockchain. Blockchains tradicionais, como Bitcoin e Ethereum, processam transações em blocos sequenciais, onde cada bloco precisa ser validado antes do próximo. A Hedera usa um Grafo Acíclico Direcionado (DAG) chamado hashgraph, permitindo o processamento paralelo das transações. Os nós compartilham informações via um protocolo matemático de "fofoca" (gossip), onde cada nó transmite dados aleatoriamente até todos terem uma visão consistente do histórico.
O resultado é velocidade sem os tradicionais trade-offs. A Hedera processa até 10.000 transações por segundo, com finalização em 3-5 segundos, comparado a 7 TPS do Bitcoin e cerca de 30 TPS do Ethereum em sua camada base. As taxas são fixas em aproximadamente $0,0001 por transferência, tornando a operação em larga escala acessível. A rede também é carbono negativa, consumindo menos energia por transação que pagamentos via Visa.
Conselho de Governança: Por que Google e Boeing operam nós da Hedera
Este é o diferencial da Hedera. Em vez de validadores anônimos ou uma pequena equipe fundadora no controle, a Hedera é governada por um conselho de até 39 organizações globais como Google, IBM, Dell, Boeing, Deutsche Telekom, LG Electronics, Standard Bank, Chainlink Labs, Nomura Holdings, Ubisoft e instituições acadêmicas como London School of Economics e University College London.
Cada membro do conselho tem um voto igual em decisões de protocolo, serve por um mandato de três anos (máximo de dois consecutivos) e deve operar um nó de consenso que valida e escreve transações na rede. A estrutura se inspira no modelo original de governança da Visa de 1968, desenhada para impedir que uma única entidade ou grupo minoritário controle ou bifurque a rede.
Em 2026, o conselho conta com 31 membros ativos de setores como tecnologia, finanças, telecom, energia e academia em todos os continentes exceto Antártica. FedEx ingressou em fevereiro de 2026 para desenvolver infraestrutura de cadeia de suprimentos, e a Repsol, gigante energética, aderiu para avançar padrões de identidade digital descentralizada.
Este modelo gera um debate central sobre HBAR. A presença de empresas como Google, Boeing e Deutsche Telekom confere credibilidade e conformidade regulatória que validadores anônimos não alcançam. Por outro lado, surge a questão: se um conselho corporativo governa a rede, ela é realmente descentralizada? A classificação da SEC como commodity responde, do ponto de vista regulatório, que o valor do HBAR deriva da operação programática do protocolo, não do esforço de gestão do conselho.
Para que serve a Hedera
O foco empresarial da Hedera resulta em casos de uso diferenciados de outras Layer 1:
Cadeia de suprimentos e logística. Boeing e outros membros usam a rede para trilhas de auditoria imutáveis do percurso de peças na fabricação e logística. A entrada da FedEx visa digitalizar processos logísticos globais com verificação de dados on-chain.
Tokenização e identidade digital. Standard Bank, Aberdeen Investments e Archax realizaram transações com ativos tokenizados na Hedera, incluindo as primeiras operações de câmbio do Reino Unido usando ativos do mundo real como garantia. As taxas fixas, conformidade regulatória e suporte nativo à verificação de identidade descentralizada (motivo da entrada da Repsol) atraem instituições que buscam custos previsíveis e KYC on-chain.
Mercado de carbono e sustentabilidade. O framework Guardian da Hedera gerencia créditos de carbono on-chain, com $1,1 bilhão em créditos de carbono de solo emitidos pelo protocolo DOVU. Seu status carbono negativo oferece narrativa ESG rara entre blockchains.
Infraestrutura de stablecoins. Frontier Stable Token de Wyoming (FRNT), o primeiro stable token emitido por um estado dos EUA, está ativo na Hedera. USDT0 também está disponível na rede, trazendo liquidez em dólar para liquidações.
Por que a classificação como commodity muda o cenário para HBAR
O conselho de governança sempre foi o maior diferencial e, ao mesmo tempo, o principal risco legal da Hedera. A dúvida legal era: se empresas identificáveis governam a rede e definem protocolos, o valor do HBAR deriva do esforço gerencial dessas empresas? Se sim, HBAR poderia ser considerado valor mobiliário pelo Teste de Howey.
A decisão de 17 de março responde de forma definitiva. Ao listar o HBAR entre as 16 commodities digitais, SEC e CFTC determinaram que o valor do HBAR vem da operação do protocolo e da dinâmica mercado/oferta, não do esforço do conselho. A classificação traz três impactos para a expansão da Hedera:
Primeiro, elimina barreiras de compliance institucional. Empresas do conselho, como Google e FedEx, podem ampliar o uso de HBAR sem risco de negociar um valor mobiliário não registrado.
Segundo, abre caminho regulatório para ETFs. O Canary Capital HBAR ETF (Nasdaq: HBR) lançado em outubro de 2025 já acumulou cerca de $93 milhões em aportes líquidos, absorvendo aproximadamente 1,3% do supply circulante. Com a classificação confirmada, 15 novos ETFs de HBAR aguardam análise da SEC, incluindo possíveis ETFs de staking.
Terceiro, a decisão confirma que o staking de HBAR não é transação de valor mobiliário. Para uma rede proof-of-stake, isso remove restrições legais para participação institucional e de varejo na validação da rede.
HBAR em números: março de 2026
Métrica | Valor |
Preço (março de 2026) | ~$0,09-0,10 |
Market cap | ~$4 bilhões |
All-time high | $0,57 (setembro de 2021) |
Distância do topo histórico | ~82% abaixo |
Circulação | ~43 bilhões de 50 bilhões máx. |
TPS teórico máx. | 10.000 |
Finalidade da transação | 3-5 segundos |
Taxa base de transação | ~$0,0001 |
Membros do conselho | 31 de 39 máx. |
HBAR ETF (Canary, Nasdaq: HBR) | ~$93M em aportes acumulados |

A dissociação entre atividade de rede e preço é característica marcante do HBAR atualmente. A Hedera processa milhões de transações na rede, mas o market cap equivale a uma fração do valor de 2021. Este descompasso sugere que a adoção institucional ainda não se converteu em valorização de mercado, algo que pode mudar à medida que a classificação de commodity amplia o acesso via ETFs e plataformas reguladas.
Perguntas Frequentes
Por que o HBAR foi incluído na lista de commodities digitais da SEC?
O teste da SEC avalia se o valor do token deriva da operação programática de um sistema cripto funcional mais oferta/demanda, não do esforço de gestão de um emissor central. Apesar do conselho corporativo, o protocolo Hedera opera programaticamente e o papel do conselho é supervisionar a governança, não criar valor por meio de gestão. A SEC considerou que o HBAR atende ao critério de commodity.
A Hedera é realmente descentralizada se empresas controlam os nós?
Depende da definição de descentralização. A Hedera conta com 31 membros do conselho em vários setores e regiões, com direito a voto igual e mandatos limitados, evitando concentração de poder. Nenhuma entidade pode controlar ou bifurcar a rede. Isso difere da descentralização por mineradores anônimos como no Bitcoin, mas chega a resultado semelhante via responsabilidade institucional.
Posso negociar HBAR na Phemex?
Sim. HBAR está disponível para negociação à vista na Phemex e você pode acessar opções de rendimento através do Phemex Earn. Com a classificação de commodity confirmada, há maior clareza regulatória para titulares de HBAR.
Considerações Finais
A Hedera se destaca na lista de commodities digitais, justamente por seu modelo diferenciado. Enquanto outros ativos utilizam blockchains com validadores pseudônimos, a Hedera opera com hashgraph e governança de grandes empresas. A classificação como commodity valida que esse modelo pode ser suficientemente descentralizado para receber tal status, mantendo a responsabilidade institucional exigida por grandes organizações.
Para traders, a questão central é: HBAR está cerca de 82% abaixo de seu topo histórico, enquanto a rede processa mais transações reais que muitos tokens acima dela em valor de mercado, possui ETF ativo absorvendo oferta circulante e acaba de receber validação regulatória para seu modelo de governança. Essa diferença entre fundamentos e preço pode indicar oportunidade de valor ou mostrar que apenas uso institucional não impulsiona preço de varejo. A classificação de commodity tende a favorecer a primeira hipótese, ao abrir canais institucionais antes inexistentes.
Este artigo tem caráter estritamente informativo e não constitui aconselhamento financeiro ou de investimento. Os preços de criptomoedas são voláteis e podem sofrer quedas significativas. A classificação do HBAR como commodity não garante valorização futura. Sempre realize sua própria pesquisa antes de investir e nunca negocie valores que não possa perder.




